As armadilhas que as águas escondem nos mares, rios e lagoas

Temperaturas altas convidam, claro, para um banho refrescante no mar, em lagoas, rios e cachoeiras. Mas, além de diversão e relaxamento, as águas oferecem armadilhas que podem surpreender até mesmo quem sabe nadar. Independentemente da idade, da autoconfiança em seu potencial como nadador e do conhecimento que se tem do local onde se vai mergulhar, é preciso prestar atenção a dicas que podem evitar sustos e até situações mais graves.

Não é à toa que, apenas entre os dias 26 de dezembro de 2012 e 3 de janeiro deste ano, 11 pessoas morreram afogadas, e outras 38 foram socorridas por guarda-vidas em praias, rios e lagoas do Estado. O dado é do Corpo de Bombeiros. Um dos casos mais recentes é o do português Marcos André Valadão, de 28 anos, que se afogou no último dia 2, em Itapoã, Vila Velha. O corpo dele só foi encontrado no sábado à tarde, na Praia da Costa, no mesmo litoral.

Segurança

Segundo o aspirante oficial Leonardo Furieri, até mesmo adultos – inclusive os que sabem nadar – podem se ver em situações complicadas em praias e rios, porque a segurança não depende só do banhista.

“Existem correntes marítimas, chamadas de correntes de retorno, que levam as águas de volta para o fundo do mar. Uma pessoa comum geralmente não sabe identificá-las, e, mesmo que saiba nadar, pode não conseguir voltar para a areia”, explica.

Buracos sob as águas – seja no mar, seja em locais de água doce – também são um perigo. Ao pisar num deles, o banhista pode afundar e desesperar-se. Daí para um afogamento pode ser questão de segundos.

Outro risco é a pessoa nadar até uma distância considerável e ser pega de surpresa pelo cansaço na hora de voltar. Essa experiência o soldador Robson dos Santos Ferreira, 23 anos, conheceu no último domingo, na Praia da Costa (leia detalhes ao lado).

Por isso, uma dica para quem não quer se arriscar à toa é procurar ficar perto de um guarda-vidas, principalmente quando se está com crianças. Elas, aliás, são as maiores vítimas de afogamento, e qualquer distração dos pais pode ser fatal.

Mar: buraco forma-se em horas

Muito mais do que os nossos olhos podem perceber quando estamos observando do lado de fora, as ondas e as correntes marítimas podem prejudicar a segurança dos banhistas e favorecer até a formação de buracos profundos no fundo do mar. É o que explica o professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Agnaldo Martins.

Segundo ele, em apenas algumas horas, um local que o banhista acreditava ser seguro pode se transformar em uma verdadeira armadilha. “As areias se movem o tempo todo no mar. Por isso, um local que não possuía buraco algum ontem pode ter um buraco hoje. E se o banhista não entra no mar com cuidado acaba caindo.”

Ele acrescenta que, em dias de lua cheia, no Espírito Santo, o mar chega a subir até 1,80m além do nível normal, o que exige mais cuidado de quem gosta de se distanciar da orla. Por isso, é melhor nadar sempre próximo à areia.