Balanço Geral das Eleições 2012 em Barra de São Francisco

Após três meses de campanha eleitoral, o quadro de vereadores e o prefeito de Barra de São Francisco foram escolhidos pela população.

Os 13 vereadores eleitos têm particularidades que os fez vencer as eleições. Cada um lutou com as armas que tinha pra vencer e deu certo. Para os candidatos que não conseguiram uma vaga na câmara de vereadores, resta lamentar e sacudir a poeira, pois daqui a quatro anos podem tentar novamente.

Faremos um balanço geral do que aconteceu nas eleições 2012 em Barra de São Francisco, do ponto de vista de alguns leitores que mandaram sugestões e de quem estava acompanhando de perto as movimentações.

Vereadores Eleitos:

Mulinha – PTB (977 votos) – Vereador mais votado este ano em Barra de São Francisco. O sucesso nas urnas se deu principalmente pelo apoio incondicional do deputado e candidato a prefeito Luciano Pereira (DEM). Mulinha é o homem de confiança do grupo dos Pereiras os mais apaixonados pelo deputado votaram em Mulinha, principalmente, a pedido de Luciano. Mulinha pode inclusive ser chamado para assumir uma secretaria na administração a partir de 2013.

Juvenal Calixto – PPS (873 votos) – Um dos quatro candidatos que foram reeleitos. Baixou sua votação em relação à eleição anterior, mas conseguiu ser o mais votado em sua coligação. Além dos votos que veio garantindo no seu atual mandato, recebeu total apoio do candidato a prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD).

Camatinha – PSB (813 votos) – Outro homem de Luciano Pereira. Esse teve total apoio do deputado em Monte Sinai (Vermelha) e no Rio do Campo. A máquina pública que o deputado tinha na mão trabalhou a seu favor. Camatinha contou também com o péssimo desempenho do atual vereador Saulo Teté, que é da mesma região.

Carlim da dengue – PMDB (802 votos) – Outro vereador reeleito. Seu candidato a prefeito era Enivaldo dos Anjos, mas seu partido ficou com Luciano Pereira. Não subiu nenhuma vez no palanque de Luciano e se manteve fiel a Enivaldo. Seu distrito, Cachoeirinha de Itaúnas reconheceu o trabalho de Carlim nos quatro anos e lhe deu uma ótima votação. Mesmo com o seu próprio partido torcendo contra, Carlim conseguiu ser reeleito com boa votação.

Dr. Aloysio – PDT (772 votos) – Candidato reeleito mas com votação surpreendente. Muitos acreditavam que Dr. Aloysio passaria dos mil votos, mas isso não aconteceu. Mesmo perdendo quase metade dos votos da eleição anterior, Dr. Aloysio contou principalmente com os votos do centro da cidade e conseguiu ser o mais votado de sua legenda, garantindo sua vaga na Câmara.

Tiãozinho da Colina – PTB (757 votos) – Candidato que todos já esperavam sua eleição. Homem humilde, morador do bairro Colina, sempre desempenhou papel social. Foi candidato outras vezes, mas sem muito sucesso. Este ano, com apoio de um jovem rico que colocou dinheiro em sua campanha, conseguiu os votos e a confiança dos moradores de seu bairro.

Emerson Lima – PP (680 votos) – Esse foi a surpresa da Eleição. Filho de família rica, Emerson é pouco conhecido, não é popular e nunca desempenhou papel social. Contou com apoio de amigos e do ex-vereador Pisiu, mas seu principal diferencial foi o dinheiro. Investiu alto e garantiu sua vaga na Câmara Municipal nos próximo quatro anos.

Antônio Morais – PSC (661 votos) – Homem do interior que recebeu apoio de gente grande. Uma das famílias mais ricas da cidade pedia voto para ele. Em Itaperuna, contou com o apoio moral e financeiro do empresário Guidoni. Também em Itaperuna, não se preocupou em manter fidelidade partidária, caminhou com Enivaldo e também com Luciano. É do partido do atual prefeito Waldeles Cavalcante, mas não usou o nome do prefeito em sua campanha, talvez pra não perder votos.

Valézio Armani – PSD (631 votos) – Dos novatos que estavam ao lado de Enivaldo foi o mais votado. Sua vitória já era esperada por muitos, pois foi o que mais apoio recebeu do grupo. Além de ser do partido de Enivaldo, o PSD, Valézio contou com grande apoio da Igreja Católica e de amigos.

Paulinho do Hospital – PV (598 votos) – Contou com apoio de um amigo empresário, de amigos do hospital, do partido e até do adversário recebeu ajuda. Paulinho foi o candidato que mais recebeu votos dos moradores do bairro Irmãos Fernandes, mas seu trabalho no hospital talvez tenha sido o seu principal diferencial.

Zé Valdeci – PT (521 votos) – Quem conhece Zé Valdeci já esperava sua vitória, principalmente pelo trabalho a frente do MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores. Homem humilde e de um enorme conhecimento, Zé Valdeci conquistou a vaga com uma campanha ‘pé no chão’.

Lula Cozer – PPS (509 votos) – Dos reeleitos, talvez a maior surpresa. Com a popularidade em baixa, sua votação cai a cada eleição. A reeleição de Lula não foi pelo seu desempenho na Câmara, mas talvez pela carta na manga que ele guarda para as últimas semanas. O trabalho social feito pela esposa ainda garante votos para Lula Cozer, mas o investimento financeiro ainda é o ponto mais forte de sua campanha.

Jessui da Cesan – PSD (450 votos) – Segundo candidato do PSD eleito. Apesar de ter perdido quase metade de seu votos em relação a eleição passada, Jessui consegui a vaga na divisão das sobras. Continuou com o apoio dos amigos da Cesan, bairro Bambé, mas esse ano ganhou um gás na reta final que na última hora funcionou bem.

Como havia dito, cada vereador eleito teve sua particularidade pra garantir a vaga. Dos que não conseguiram, alguns devem estar com o gosto mais amargo na boca que outros. Alguns porque chegaram muito perto e não conseguiram a vaga, como é o caso do candidato Admilson Brum, que por 7 votos perdeu a vaga. Outros porque eram cotados para a vaga ficaram com uma votação decepcionante, como é o caso de Veríssimo que levantou a bandeira da juventude e da Educação e amargou 130 votos. Seis dos que perderam já tinham mandatos, inclusive o atual presidente da câmara. Vejamos:

Dego Neri  (PSB) – Sua votação em Vila Paulista foi muito além das previsões não condiz com seu baixo desempenho na Câmara Municipal. Mesmo tendo 595 votos, não conseguiu ser reeleito.

Sargento Quenídio (PSB) – Perdeu parte do apoio da polícia militar e sua votação despencou pela metade. Apesar de ter feito um mandato sério e transparente, isso não refletiu em sua votação e seus 480 votos não foram suficientes para assegurar sua cadeira na câmara.

Saulo Teté (PRTB) – Teve 277 votos e não conseguiu garantir sua reeleição. Na eleição anterior, foi candidato com o apoio de Waldeles, de quem tinha sido vice-prefeito. Com poucos recursos levados para Vermelha e Rio do Campo, viu seus votos migrarem para Camatinha e outros candidatos.

Adilson Perninha (PRTB) – Baixo desempenho como vereador, Perninha também viu sua votação despencar. Teve 327 votos e também não conseguiu ser reeleito. Perdeu parte do apoio da igreja e seu discurso baseado apenas em IFES não foi suficiente para convencer os eleitores.

Adilton Gonçalves  (PMDB) – O atual presidente da casa de leis talvez tenha sido o mais castigado pelos eleitores. Fez um bom trabalho administrativo, iniciou a construção da nova câmara de vereadores, teve total apoio do partido, mas não conseguiu ser reeleito. Sua votação não foi tão baixa, 587 votos, mas a legenda pesada não deu chance para reeleição.

Presidência da Câmara

Minutos depois do resultado nas urnas indicar quem eram os treze vereadores eleitos, o assunto já era quem seria o próximo presidente câmara. Mesmo perdendo a eleição para prefeito, Enivaldo dos Anjos fez a maioria dos vereadores, o que pode lhe garantir a presidência da casa e uma oposição forte.

O candidato de Luciano deve ser seu fiel escudeiro, Mulinha. Seu adversário direto deve ser Juvenal Calixto, que esteve ao lado de Enivaldo durante toda a campanha. Prever quem serão os candidato ainda é difícil, pois muitos interesses estão em jogo. Carlim da dengue que foi fiel a Enivaldo durante todo a campanha pode ser um dos candidatos a presidência. Lula Cozer também ocupa posição privilegiada, pois tem um irmão que é aliado de Luciano e pode interferir para que ele seja o presidente. Valézio, por ser do partido de Enivaldo também tem chances de ser indicado, mas seu ponto fraco é ser novato na casa de leis. Temos que aguardar as negociações até o último minuto do dia 1º de janeiro.

 Já para prefeito, a eleição foi decidida no último dia. A diferença foi pequena, apenas 426 votos de frente. Contando que o voto direto para prefeito vale por dois, pois se um eleitor muda de lado, subtrai-se de um e soma para o outro, a quantidade de eleitores que decidiu a eleição foi de 213.

Discutir erros e acertos nessa hora já não adianta, pois o resultado já é conhecido, mas em alguns pontos fortes ficarão marcados na história das Eleições 2012 em Barra de São Francisco. Vamos enumerar sete questões que favoreceram Luciano, que foi o vencedor nas urnas.

1 – Estar do lado do atual prefeito Waldeles Cavalcante – Dono de uma rejeição nada invejável, Waldeles colaborou e muito para a derrota de Enivaldo nas urnas. Todos sabiam que Luciano é a oposição de Waldeles. No palanque de Enivaldo, secretários de Waldeles tentavam uma vaga na câmara. Em alguns comícios, Waldeles subiu no palanque.  Alguns funcionários contratados por Waldeles faziam campanha e votaram contra o candidato dele. Muita gente foi para o lado de Luciano somente por ser contra Waldeles. O prefeito tem agora pouco mais de dois meses para tapar alguns buracos deixados nos seis anos de administração e entregar a bomba para Luciano no dia 1º de janeiro.

2 – A vinda de Magno Malta na Rua Minieira – Com discurso polêmico, o senador que veio para ajudar na campanha de Enivaldo não agradou muito o público. Naquela ocasião, o comício de Enivaldo que tinha levado mais gente as ruas, o senador fez um discurso longo, cansativo e extremista, nada positivo para uma campanha de prefeito.

3 – A vinda de Paulo Hartung no palanque de Luciano – Para completar a desastrosa participação de Magno Malta no palanque de  Enivaldo, o PMDB conseguiu trazer Paulo Hartung e Ricardo Ferraço a Barra de São Francisco. O comício foi tão bom para Luciano que o grupo passou quase uma semana sem fazer outro comício, colhendo apenas os frutos da vinda de Hartung na cidade.

4 – A morte de Tanin Maroto em Vila Pulista – Poucos dias após um discurso polêmico de Enivaldo em Vila Paulista, Tanin Maroto é assassinado. No mesmo dia, acontecia o último comício de Enivaldo no centro da cidade. Um boato de que se Enivaldo fosse eleito os crimes em Vila Paulista não teriam fim foi espalhado rapidamente em Vila Paulista. Talvez o principal motivo da diferença nas urnas no distrito.

5 – O mesmo palanque no centro da cidade – O grupo de Enivaldo contratou um grande palco e som para o último comício no centro da cidade, mas os coordenadores da campanha esqueceram de colocar uma cláusula de exclusividade no contrato. Resultado, o mesmo palco alugado por Enivaldo, foi alugado por Luciano, por um preço mais baixo, pois já estava montado e o frete já estava pago. Até ai tudo tranquilo, nada que mude a história de uma eleição, acontece que alguém do grupo de Enivaldo foi tirar satisfação com os donos do palco e tudo acabou com um boletim de ocorrência na polícia militar. Agora sim, tudo que o grupo precisava. Cópias da ocorrência foram distribuídas em praça pública, no dia do último comício de Luciano. Pode não ter tirado voto, mas desgastou a campanha adversária.

6 – A passeata de Enivaldo no centro de Barra de São Francisco – Superando todos os erros acumulados no decorrer da campanha, Enivaldo conseguiu colocar um mar de gente nas ruas de Barra de São Francisco. Com tanta gente nas ruas de Barra de São Francisco, até os mais pessimistas eleitores de Enivaldo já contavam vitória. Um dia antes, diziam que o grupo de Luciano tentaria colocar pessoas na passeata para tumultuar. A notícia se espalhou, mas era pura mentira, enquanto o pessoal de Enivaldo caminhava pelo centro, o grupo de Luciano estava em Vila Paulista e em Monte Sinai. O que se falou por lá não sabemos, mas o resultado nas urnas foi negativo para Enivaldo nos dois distritos.

7 – Os apaixonados – Esse talvez tenha sido o maior diferencial desde o início. Quem acompanhou de perto viu como o grupo de Luciano trabalhou com paixão. Um Pereira fazia barulho para três Dos Anjos. Mesmo atrás nas pesquisas, o grupo nunca se abateu e sempre dizia que estava na frente. O otimismo era tamanho que se tivesse um indeciso era capaz de contagiar. No dia da eleição, isso ficou mais evidente. Eleitores de Luciano pediam voto até o último minuto, mesmo sendo proibido. Festejavam mesmo antes da votação terminar. Soltaram um boato de que uma pesquisa boca de urna apontava Luciano com 78%.  Tudo isso para confundir o adversário. Parecia que era a primeira eleição de cada um dos que ajudavam Enivaldo, todos envolvidos com as mentiras e boatos, enquanto isso, o resultado na urna era revertido.

Talvez muitos outros fatores tenham contribuído para o resultado nas urnas, acontece que nada disso agora tem mais sentido, pois a eleição terminou e o vencedor já foi declarado. Mas e agora, como Luciano irá administrar os próximos quatro anos a nossa cidade.

Luciano vai assumir uma prefeitura ainda endividada e com muitos problemas a serem resolvidos. A maioria das dívidas ainda são da administração de seu pai, o ex-prefeito Edson Henrique Pereira (Edinho).

O primeiro desgaste de Luciano será com a demissão de muitos funcionários contratados. Caso consiga quitar as dívidas da prefeitura e recuperar a Certidão Negativa, Luciano poderá conseguir alguns recursos estaduais e federais. Caso não consiga, terá que administrar apenas com a arrecadação mensal da prefeitura, que gira em torno de R$ 4 milhões. Pode parecer muito, mas para uma cidade do porte de Barra de São Francisco, não se consegue fazer muita coisa.

Tudo isso pode gerar um desgaste para o futuro prefeito, que foi eleito com uma votação apertada, o que pode gerar uma pressão nos primeiros meses de mandato. Problemas a parte, Luciano conseguiu chegar onde sempre sonhou, a cadeira que era de seu pai e que lhe foi tirada pela justiça, quando foi cassado por corrupção eleitoral.

Se fizer o que prometeu em palanque, Luciano fará uma limpeza na prefeitura, demitindo, fazendo auditoria e investigando. O problema é que ele pode se deparar com erros enormes do próprio pai, que era prefeito até meados de 2006.

Para o candidato Enivaldo dos Anjos, que perdeu as eleições, restou a satisfação de ter novamente um grupo político unido. Teoricamente a cidade foi politicamente dividia ao meio. Enivaldo tem agora então em torno de 12 mil seguidores, o que pode ser o pontapé inicial para uma campanha de deputado estadual em 2014.

É esperar para ver, pois qualquer previsão agora é mera especulação. De uma coisa o leitor do SiteBarra pode ter certeza, estaremos de olho.