Conheça Carlos, produtor rural da Serra do Roncador que dá exemplo de integração de lavoura, pecuária e floresta

O agricultor defende que é melhor trabalhar ao lado da natureza do que contra.

Por Chevrolet

Carlos Roberto Della Libera nasceu no campo. O pai, Hermenegildo Della Libera, o Miné, era capataz de uma fazenda em Dracena, no interior de São Paulo, onde Carlos morou até os 11 anos de idade. ”Não tinha luz elétrica, não tinha banheiro dentro de casa, não tinha nada. Era bem rústico mesmo, e eu cresci no meio disso”. Aprendeu a montar cedo, criou cabritos e conheceu de perto, com quem faz, toda a lida da fazenda. Com o tempo, no entanto, os estudos passaram a ser o principal foco. Engenheiro de formação, Carlos se dividiu entre trabalhos em São Paulo e Rio de Janeiro, mas sem esquecer de seu lado rural. Até que, em 1995, adquiriu uma fazenda na Serra do Roncador, no interior do Mato Grosso.

Embora a topografia não fosse exatamente plana, como costuma ser o foco nas grandes plantações, a exuberante natureza do local — que conta com muitos pássaros, nascentes, quedas d’água e 28 córregos — o conquistou. No início, percorria as estradas de terra três ou quatro vezes ano e investiu na criação de gado. Com o tempo, decidiu que não queria abrir mais pastagens, e a mesma natureza que o atraiu se transformou em uma poderosa aliada.

“A fazenda aqui é grande, mas eu toco como se fossem várias fazendas pequenas. A fazenda tem muitas nascentes e tenho que preservar, porque senão vai faltar água. Aí, ao preservar as nascentes, percebi que os animais ficavam mais saudáveis ao fazer o pastoreio em pastagens arborizadas. Na hora do calor, ele vai embaixo da árvore, onde o conforto térmico é melhor”. Com essa percepção e a intenção de recuperar o solo, Carlos decidiu plantar acácias. O objetivo era que as árvores captassem nitrogênio da atmosfera e depositassem na terra, melhorando o solo com suas raízes. Quando as acácias fosse cortadas e a madeira de lei vendida para a fabricação de móveis, o capim a ser plantado ficaria mais rico em nutrientes. Mas o meio ambiente intercedeu nos planos, e aconteceu um fato inusitado: melífera, a acácia atraiu muitas abelhas. “Aí falamos: não vamos mais cortar, vamos produzir mel. É responsabilidade de quem dirige detectar as potencialidades da terra e melhorar, até”.

“Percebi que é melhor, muito mais fácil, você trabalhar ao lado da natureza do que contra. A natureza te ajuda, ela não vai te atrapalhar. A população, a juventude toda, está valorizando os produtos sustentáveis, os produtos orgânicos. Isso é uma percepção do que está acontecendo no mundo, e penso em como é que a gente pode inserir a fazenda no mundo”.

“É melhor você trabalhar ao lado da natureza do que contra”, diz Carlos.

Hoje, a fazenda, com certificação orgânica, produz duas floradas ao ano e tem clientes até na Suíça. “Até me perguntam: ‘o que vocês vendem na fazenda?’. Eu vendo qualidade. É esse o nosso foco. Quando você vende uma qualidade superior, sempre tem alguém querendo comprar”.

Carlos, produtor rural da Serra do Roncador que dá exemplo de integração de lavoura, pecuária e floresta — Foto: Divulgação

Carlos, produtor rural da Serra do Roncador que dá exemplo de integração de lavoura, pecuária e floresta — Foto: Divulgação

Ainda assim, Carlos não para de diversificar a produção. As três porcas que ganhou em troca de uma mula que deu a um senhor que visitava a fazenda, se transformou em uma criação com mais de 3 mil porcos caipiras. O próximo passo é fazer um abatedouro, com todas as certificações, e comercializar a carne orgânica. “O trabalho do campo é fundamental para a sociedade, porque quando as pessoas comem, bebem e vestem, tudo sai do campo”.

Apesar de antenado às novidades do agronegócio, ele não esquece suas raízes.

“Hoje, basicamente o que eu faço é o que meu pai fazia naquela época. O meu pai e a minha avó são os dois ícones da minha vida (pausa a fala, se emociona). Todo dia quando eu acordo, eu tento falar: hoje eu vou ser melhor que ontem. Para tentar ser o homem que meu pai foi. Isso que é a coisa mais importante para mim”.

  • Nome: Carlos Roberto Della Libera
  • Idade: 66 anos
  • Região: Serra do Roncador – Mato Grosso
  • Há quanto tempo trabalha no campo? Desde 1995
  • Com o que trabalha no agro? Mel, gado bovino e porcos
  • Nome de marca: Casa Roncador