Poluição de plástico no mar é tema de reunião

Convidada de frente parlamentar, professora Luísa Cortat fez apresentação sobre impacto que material causa no oceano

Por Aldo Aldesco

Luísa Cortat
Segundo a Cortat, os primeiros plásticos ainda não desaparecem na natureza / Foto: Lucas Silva

Dez rios do mundo são responsáveis por carregarem 85% do material plástico encontrado no mar. No total, são oito toneladas ao ano jogadas no oceano. Além do mais, 50% do plástico produzido no mundo é de uso único, ou seja, sua utilização não dura mais de três minutos antes de ser descartado.

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Estas e outras questões sobre a poluição do mar com material plástico foram colocadas pela professora de Relações Institucionais da Faculdade de Direito de Vitória (FDV) Luísa Cortat nesta quinta-feira (5). Ela participou da Frente Parlamentar de Fiscalização de Obras de Coleta e Tratamento de Esgoto, presidida pelo deputado Gandini (Cidadania).

Segundo a pesquisadora e coordenadora do curso, embora os rios da Ásia sejam os que mais poluem os oceanos, a responsabilidade não é dos países por onde passam os cursos d’água. “A responsabilidade é de quem produz, os países desenvolvidos, que enviam a produção para os países periféricos”, explicou.

O plástico é produzido há mais de 100 anos, crescendo depois da Segunda Guerra Mundial. A população não cresceu tanto quanto a produção plástica – a relação desse produto por habitante aumenta a cada ano. A professora comentou que alguns plásticos levam 500 anos para desaparecer – a maioria leva 100 anos. Portanto, “os primeiros plásticos ainda não desaparecem na natureza”, avaliou.

Priorização

Para a pesquisadora, a questão deve ser encarada com urgência por toda a cadeia produtiva, criar leis, simplesmente, não basta. Gandini concordou com a convidada. Para o parlamentar, é necessário que sejam realizadas também ações educativas.

Cortat descreveu um quadro de ações conjuntas que a cadeia produtiva do material plástico tem de desenvolver. Esse quadro envolve o fabricante (produção e informação ao consumidor); sociedade (conscientização, consumo, pressão social); e governo (regulação, fiscalização, destinação final).

A pesquisadora deu o exemplo da Holanda que, por meio de informação e pressão, levou os fabricantes de cosméticos zerar o microplástico em seus produtos. Entretanto, Cortat não negou a utilidade dos plásticos na sociedade, são 14 tipos produzidos pelas indústrias. “Não podemos negar sua utilidade”.

Bioplástico

O bioplástico é diferente do plástico biodegradável. O bioplástico tem a natureza como matéria prima principal. Já o biodegradável ou oxibiodegradável não. Os saquinhos biodegradáveis são compostos por 30% de material biodegradável e 70% de plástico normal.

O biodegradável, na perspectiva química, se decompõe em outros elementos que permanecem na natureza, desaparecendo em dez anos. No entanto, a degradabilidade tem que ser reutilizada e não ficar na natureza, explicou a professora, defendendo o material bioplástico.

Findes

O diretor de Desenvolvimento e Associativismo da Findes, Agostinho Miranda Rocha, informou que foi criado o Fórum de Política Reversiva do Material Plástico da Findes. O convidado elogiou a exposição e disse que a palestra trouxe luz para a sua atuação.  

E lembrou que a Findes tem feito intervenções nas escolas, um processo educativo que faz em parceiras, com o seguinte bordão: reduzir, reutilizar e reciclar, são os três erres nas escolas.

O subsecretário de Controle Ambiental de Vitória, Dárcio Bracarense Filgueiras, demonstrou interesse nas ações de combate à poluição com material plástico. Para ele as propostas vêm no sentido de proibir algo.