“Perco a liderança, mas a máfia do guincho não vai voltar”, diz deputado Enivaldo dos Anjos

Deputado atribui saída da liderança a ter confrontado contrato de mais de R$ 3 milhões para volta dos guinchos na Grande Vitória e parte para o ataque.

No mais esperado discurso da sessão desta segunda-feira (2) no plenário da Assembleia Legislativa, o ex-líder do Governo, deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), disse que já sabia desde sexta-feira, dia 29, que seria tirado da liderança, quando se rebelou contra um contrato celebrado pelo Detran com uma empresa privada para o retorno das operações de guincho de veículos na Grande Vitória.

“Eu não tenho apego a nada. Perco a liderança, mas a máfia do guincho não vai voltar a agir no Espírito Santo. Na sexta-feira, eu oficiei, como presidente da CPI da Máfia dos Guinchos, ao Detran solicitando cópia do contrato de mais de R$ 3 milhões que o Governo celebrou, em regime de emergência e sem licitação, com uma empresa de capital social de apenas R$ 130 mil para prestar serviço de guincho na região metropolitana, ao mesmo tempo em que convoquei os diretores da empresa e do Detran para depor na Comissão”, disse Enivaldo.

A cópia do contrato foi encaminhado pelo diretor-presidente do Detran, Givaldo Vieira, à Comissão Parlamentar de Inquérito no início da tarde desta segunda-feira (2) e já está sendo analisado pela assessoria.

“Que empresa sortuda essa! Todo mundo sabia que no dia em que tentassem voltar com o guincho no Espírito Santo teria minha repulsa. Eu brigo até na mão, mas não aceito que a máfia do guincho volte a reinar no Espírito Santo. Agora, eu sei bem por que o pessoal que está em volta do governador fez esse movimento para me tirar: quem assinou o contrato com essa empresa foi um irmão da secretária de Comunicação”, acrescentou Enivaldo.

Num discurso que monopolizou as atenções não apenas no plenário, mas em todos os setores da Casa e de telespectadores da TV Assembleia, que transmite a sessão ao vivo, Enivaldo fez um amplo relato dos fatos que antecederam sua saída da liderança do governo e questionou o esforço do núcleo em torno do governador para tentar esvaziar a importância do que ele fez nos 11 meses em que esteve no posto na Assembleia:

“Não sei por que de uma hora para outra passei a não servir. Será que é porque falo a verdade? Será que é porque falo que Vale e a BHP são assassinas e criminosas? Vieram me pedir para não intimar o pessoal dessas empresas para a CPI da Sonegação, mas ninguém me cala, eu intimo sim. Será que não sirvo porque o pessoal da Findes vive querendo passar tudo aqui dentro? Será que é porque defendo as coisas que a população defende? Será que é porque mandei ofício para o Detran pedindo cópia do contrato do guincho?”

Enivaldo dos Anjos não aceita ser responsabilizado pela convocação das eleições antecipadas, que reconduziram Erick Musso para a presidência na Assembleia no biênio 2021-2023: “Não coloquem a eleição antecipada da Mesa Diretora como pano de fundo, porque não é. Até porque o PSB já fez isso no final de outubro, antecipando a reeleição do presidente da Assembleia de Goiás”.

Apesar do discurso duro, o deputado Enivaldo dos Anjos fez questão de dizer que vai manter a palavra dada ao governador Renato Casagrande no início do ano: “Eu não sou demente e nem pau mandado, não sou ventríloquo de ninguém. Tenho honra e palavra, e isso é patrimônio. Esse pessoal do Cidadania e alguns assessores do governador podem parar de tentar causar intriga minha com Renato Casagrande, porque estão perdendo tempo. Eu vou manter minha palavra, independente de ele estar ouvindo essas pessoas, que se acham credores do governo dele. Não deixam o governador governar, arregimentar força. Mas eu vou manter minha palavra e continuar na base aliada do Governo”.