Operação Acolhida leva dignidade a venezuelanos refugiados

Operação Acolhida leva dignidade a venezuelanos refugiados

– Foto:
Alexandre Manfrim

A Operação Acolhida foi criada para receber com dignidade os imigrantes oriundos da Venezuela, país que enfrenta crise político-econômica e êxodo de milhares de pessoas. É baseada em três pilares: acolhimento, abrigamento e interiorização. Em 2019, a Operação Acolhida teve continuidade, organizando a chegada e interiorização de milhares de venezuelanos que chegam pela fronteira de Pacaraima, no estado de Roraima. Foram mais de 4 mil militares servindo na missão desde o início.

Ao entrar no país, o imigrante dirige-se ao Posto de Recepção e Identificação (PRI). Enquanto aguarda atendimento, conta com água, lanche e banheiros. O PRI visa controlar o fluxo migratório, realizando a expedição de documentos e oferecendo auxílio médico ao imigrante em sua chegada.

“O imigrante chegou sob forte emoção e em condição completamente diferente. O que fez ele sair daquela condição e hoje estar aqui acolhido com dignidade, foi o trabalho da Força Tarefa”, analisou o Coronel Carlos Cinelli, Chefe do Estado-Maior do 7º Contingente da Força-tarefa Logística e Humanitária em Roraima da Operação Acolhida em ocasião da formatura do contingente em Boa Vista.
Após a recepção, eles são orientados sobre o procedimento de permanência no país. Os venezuelanos preenchem um cadastro e recebem a documentação: CPF e carteira de trabalho. Em seguida, são entrevistados para análise do conhecimento profissional e recebem as vacinas necessárias.

A assistência social compõe o segundo pilar da Operação. As pessoas desassistidas no país são encaminhadas para um dos 13 abrigos de Roraima – são 11 em Boa Vista e dois em Pacaraima. Nesses alojamentos, divididos em feminino, masculino e familiar, eles recebem três refeições, têm acesso à lavanderia e à atendimento médico.

Para os militares, a Operação têm sido de aprendizado e lição de vida. O sargento Marcus Souza, Coordenador Adjunto do Abrigo BV8, em Pacaraima (RR), é responsável por auxiliar na segurança, no controle de alimentação e no controle de efetivo e obras de infraestrutura. “É uma missão muito gratificante. As lições que a gente vem aprendendo são diversas, principalmente desenvolver o sentimento de apoiar o próximo. O primeiro dia aqui foi um baque. Uma mulher com um bebê de dois meses estava visivelmente passando fome, desnutrida, a ponto de não conseguir amamentar a filha. Eu tive a oportunidade de ajudar, esquentando água para ela fazer mamadeira para a criança. Esse dia foi o que mais me impactou”, relata.

Um dos refugiados desse abrigo é Edgar Zurita, de 53 anos. Natural de Ciudad Bolívar, na Venezuela, ele chegou em Roraima de ônibus com dois filhos. Aproveita seu tempo no abrigo estudando português com um caderno, um livro, lápis e borracha. Para ele, o mais marcante ao chegar ao Brasil foi lidar com a humanidade e educação dos militares que os recebem. “Aqui nos dão comida, acolhimento e dignidade”, disse ele.

O terceiro pilar da Operação é a interiorização. Até novembro de 2019, foram interiorizados mais de 25 mil venezuelanos para 24 estados brasileiros. Todos eles são acompanhados desde a saída de Roraima até as cidades de destino.

Esse ano, foi inaugurado o Posto de Interiorização e Triagem em Manaus (AM), onde podem solicitar residência temporária e refúgio, emitir documentos e receber vacinação. Nesse local, são oferecidos serviços de órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde, de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, e de Assistência Social, Secretarias Municipais de Saúde, da Mulher e Assistência Social e Cidadania.

 

Com informações do Ministério da Defesa