BNDES quer dar destaque a impacto social de suas ações

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, durante entrevista coletiva, no Ministério da Economia. Arquivo/Valter Campanato/Agência Brasil


Vinícius Lisboa – repórter da Agência Brasil
São Paulo

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, apresentou hoje (18) o plano de metas para os próximos três anos e disse que a instituição passará a dar destaque ao impacto social de suas ações. Ao defender o planejamento estratégico, Montezano afirmou que o governo não vê o banco como fonte de receita primária por meio de seus resultados financeiros.

“A gente tem que cobrir nossos custos e entregar lucro social. Nossa missão, hoje, pedida pelo nosso acionista, é que a gente entregue lucro social para o Brasil”, disse o executivo, que avaliou “não conhecer outro banco no mundo com tamanha estabilidade e previsibilidade de resultados”.

Entre as metas anunciadas pelo BNDES estão estruturar projetos que deem acesso a saneamento para 20 milhões de pessoas e permitam a concessão de 16 mil quiloômetros a mais de rodovias. Por meio de suas linhas de crédito, o banco pretende aumentar a capacidade instalada de energias renováveis em 2 gigawatts e modernizar ou construir 150 unidades de saúde que atendam ao SUS, além de gerar ou manter 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos por ano.

Montezano afirmou que a reputação será o bem mais precioso do banco e ponderou que, no momento, não há mais nenhum assunto que exija esclarecimentos públicos. Ao ser questionado por jornalistas se isso incluía uma suposta “caixa-preta do BNDES”, que foi alvo de críticas, o presidente disse que o processo de abertura e transparência na instituição é permanente.

O banco prevê chegar a 2022 com uma carteira de crédito somando até R$ 490 bilhões e um patrimônio líquido de até R$ 92 bilhões. O lucro líquido recorrente do banco deve variar entre R$ 6,6 bilhões e R$ 8,6 bilhões em 2022.

Em relação à participação no mercado de ações, o BNDES deve reduzir o risco da carteira, que, segundo dados apresentados, rendeu menos que a metade do CDI nos últimos 10 anos. “Não faz sentido deter ação de Petrobras, ação da Suzano, ação da JBS, independente do risco. Essas ações estão fora do propósito do banco, independente da rentabilidade delas”, disse Montezano, que avaliou que a estratégia do banco em investimentos em renda variável gerou prejuízos no passado. “O banco seria muito maior do que é hoje se não o tivesse feito.”

A apresentação do Plano Trienal, segundo Gustavo Montezano, encerrou o cumprimento das cinco metas que sua administração havia proposto para o ano de 2019. Esses objetivos incluíam também tornar o banco mais aberto para a sociedade, acelerar a venda de ações do BNDESpar, pagar a dívida com o Tesouro Nacional e aumentar a qualidade da prestação do serviço.

 

Edição: Aline Leal