Obras de esgoto estão paralisadas em 4 cidades do Caparaó no ES

Há cerca de um mês, os trabalhos em Irupi, Iúna, Ibatiba e Dores do Rio Preto foram paralisados. Empresa responsável foi contratada pela Cesan com recursos do Banco Mundial de Desenvolvimento.

Por Maíra Mendonça, G1 ES

Paralisação das obras em Iúna afetou a pavimentação da cidade — Foto: Reprodução/Internauta

Paralisação das obras em Iúna afetou a pavimentação da cidade — Foto: Reprodução/Internauta

Quatro municípios da região do Caparaó capixaba estão com obras de saneamento paradas há cerca de um mês. O problema ocorre desde que a empresa Sahliah, contratada pela Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) para realizar o serviço, abandonou o trabalho. Enquanto funcionários alegam estar sem receber os salários, fornecedores da região também reclamam de dívidas que ficaram para trás.

A paralisação das obras acontece nas cidades de Irupi, Dores do Rio Preto, Ibatiba e Iúna.

De acordo com o prefeito de Iúna, Weliton Virgilio Pereira, as obras de esgotamento sanitário e de ligação de esgoto intradomiciliar começaram a ser executadas há dois anos, mas nos últimos meses caminhavam a passos lentos até pararem.

O resultado da paralisação pode ser visto em algumas vias da cidade, onde a pavimentação não foi concluída, dando lugar aos buracos.

Para além disso, Weliton Pereira afirma que os funcionários da empresa estão sem receber seus salários e, por esse motivo, recebem ajuda do município.

“Aqui em Iúna são cerca de 60 funcionários. Desses, 40 são operários. Nós estamos entregando cestas básicas para eles”, diz o prefeito, que por duas vezes se reuniu com representantes da Cesan, mas afirma que não obteve respostas definitivas sobre a conclusão das obras.

Calçamento em Iúna ainda não foi consertado — Foto: Reprodução/Internauta

Calçamento em Iúna ainda não foi consertado — Foto: Reprodução/Internauta

Licitações totalizam mais de R$ 50 milhões

Os serviços de saneamento do município são realizados por meio do Programa Águas e Paisagens, do governo estadual, com recursos do Banco Mundial de Desenvolvimento (BID).

Somente para os municípios de Iúna e Irupi, o valor do consórcio – composto pelas empresas Sahliah e Sanevix e firmado em 2016 – é de R$ 26 milhões. Já para Ibatiba e Dores do Rio Preto, o valor é de R$ 25,7 milhões.

Em Irupi, os 22 funcionários da Sahliah também estão parados. “O último pagamento, que seria do dia 5, foi no dia 15 de outubro. Semana passada disseram que essa semana iriam acertar a situação. Mas até agora nada”, preocupa-se um dos operários, que prefere não se identificar.

Com a paralisação das obras, funcionários em Irupi estão sem trabalhar e sem receber — Foto: Reprodução/Internauta

Com a paralisação das obras, funcionários em Irupi estão sem trabalhar e sem receber — Foto: Reprodução/Internauta

A empresária Célia Emerick de Almeida, que é proprietária de um restaurante da cidade e que fornecia alimentação para os funcionários da Sahliah, afirma que a empresa deixou uma dívida de cerca de R$ 20 mil para trás.

“Fizemos um contrato com eles há um ano e meio. Mas de uns tempos para cá, começaram a acumular notas sem pagar. Disseram que não tinham dinheiro para acertar. Eu já não recebo há uns quatro meses”, conta ela.

A empresária reclama da falta de respostas: “A gente não tem com quem conversar. Não tenho a quem recorrer. Dizem que a empresa não faliu, que eles vão voltar”.

Já em Dores do Rio Preto, o prefeito Cleudenir José de Carvalho Neto lembra que a previsão de inauguração das obras era para 2018. Ao contrário do que acontece em Iúna, por exemplo, a interrupção das obras não causou transtornos para os moradores, pois os trabalhos estão em fase de conclusão.

No entanto, o prefeito reclama do mesmo problema em relação aos fornecedores.

“As empresas que forneceram combustível, material de construção, estão sem receber. As obras de ligação de esgoto intradomiciliar estão em fase final. Encaminhei um ofício para o presidente da Cesan. A gente não sabe o que está acontecendo”, lamenta.

Obras serão retomadas em dezembro, diz Cesan

Em nota, a Cesan informou que o consórcio formado pelas empresas Sahliah e Sanevix enfrenta problemas financeiros e que isso afetou a execução das obras nas quatro frentes de trabalho da região do Caparaó. No entanto, os trabalhos deverão ser retomados em dezembro. Medidas estão sendo tomadas para regularizar os pagamentos.

A Cesan garante ainda que a realização completa das obras é condição fundamental para que o repasse do dinheiro seja feito às empresas. “Os pagamentos feitos pela Cesan para o consórcio executor das obras só é realizado após atestada a execução de cada etapa”, informou.

O G1 tentou entrar diretamente em contato com a empresa Sahliah, que é apontada pelos gestores municipais como a causadora dos problemas. No entanto, não obteve retorno.