O câncer no reto e a cura

» No último dia 04, Mauryneto recebeu o diagnóstico da cura do câncer

Um sangramento e a descoberta de uma doença que de imediato, chega com diagnóstico avassalador. Mas depois de 14 anos, Mauryneto Barcellos Bastos recebeu o a vitória da cura. A história é real, emocionante e pode ajudar muitos homens que passam pelo mesmo problema ou parecido.


Surpreendido pelo diagnóstico de um tumor maligno, Mauryneto Bastos não teve outra saída, a não ser procurar o tratamento. Quimioterapias, radioterapias, cirurgia e muito sofrimento deram espaço a gratidão pela cura. A fé, a família e os amigos foram o que fizeram total diferença para o aposentado, nas horas mais difíceis de sua vida.

De acordo com Netinho, como é mais conhecido, o que dificulta é o preconceito e o medo masculino de ir as consultas de rotina. A reportagem foi realizada para mostrar a importância da busca da saúde do homem de um modo geral e traz a trajetória com a história do entrevistado, desde o dia do primeiro sangramento que teve, até o momento da cura.

Para não deixar os homens esquecerem de si mesmo, o Hospital São Marcos, a Secretaria de Saúde de Nova Venécia e a Rede Notícia de Comunicações, realizam a campanha Novembro Azul, com o objetivo de fortalecer as recomendações para diagnóstico precoce e rastreamento do câncer de próstata. As ações acontecem nesta sexta-feira (08), com Pit Stop Notícia, na Praça Adélio Lubiana, seguido de uma caminhada pelo Centro, e 23 de novembro, acontece outro Pit Stop Notícia na Feira, próxima ao Hortomercado.


Era um dia normal para o Mauryneto Barcellos Bastos, até ter notado um pequeno sangramento nas fezes. O alerta foi ligado, e ele contou o acontecido no mesmo dia ao médico da família. De início foi imaginado hemorroida, ou gastrite. Com passar de alguns dias, o sangramento aumentou. Foi então que o aposentado precisou fazer um exame mais aprofundado, a colonoscopia. “Era dia 1° de abril, o médico disse que havia um tumor em meu reto, perguntei a ele se não era brincadeira, pensei que fosse, mas não era”, explica.

A partir daí, a espera foi pela biópsia, que ao chegar, trouxe junto o pior diagnóstico: um câncer maligno no reto, aos 58 anos. “Meu mundo caiu, eu fiquei parado, não tive reação, foi como receber uma pancada na cabeça. Estava com um ano de casado. Depois de passar a primeira reação, perguntei a minha esposa se ela queria se separar. Ela falou que jamais, que lutaria comigo, e assim fomos”, conta.

Com o diagnóstico em mãos, a vez foi a procura de tratamento. “Não tinha outra saída. Eu sou uma pessoa temente a Deus, então, tive fé e sempre acreditei que daria certo, não desanimei, não escondi de ninguém, fui em busca de melhora e conhecimento”, relata.

Mauryneto fez o tratamento em Vitória, foram 60 dias de quimioterapia e radioterapia. Em seguida, chegou o momento da cirurgia para retirada do tumor. “Fui avisado que poderia ter que usar a bolsa de colostomia para sempre. Quando acordei, vi que estava com ela, um sinal ruim. Mas logo em seguida recebi a notícia do médico, dizendo que eu usaria aquilo por alguns meses só, havia dado tudo certo, chorei de alegria. Mesmo nos momentos ruins, há coisa boa para comemorar. Fiquei com essa bolsa só por quatro meses”, conta.

Oito dias após a cirurgia, o aposentado já estava em casa. Após isso, a cada seis meses, Mauryneto voltava a Vitória para realizar exames, situação que durou cinco anos. Ao passar esse prazo, a visita ao médico era apenas a cada ano, até que no último dia 04, após 14 anos, Mauryneto recebeu a grande notícia de sua vida. “Tive alta, o médico disse que estou curado, agora só preciso fazer uma colonoscopia a cada três anos, somente para precaução, de rotina mesmo. Próximo dia 12 completo 73 anos, ganhei meu presente de aniversário, e que presentão.”, narra. “Sempre tive apoio da minha família inteira, minha irmã Penha Bastos, filhos, primos, amigos. Quero frisar que isso foi importante demais para mim, quem estiver passando por essa doença, saiba que a família faz total diferença”.

O aposentado explica que antes de tudo acontecer, sempre fez exame de próstata, e que não deixava de ir ao médico para outros exames. “O homem não é igual a mulher que se cuida, a maioria só procura tratamento tarde demais. Já pensou se eu não tivesse ido ao médico logo? Poderia ser tarde demais, pois o tumor estava no início quando foi descoberto. É preciso deixar esse preconceito de lado, sempre fiz o exame de toque, é para meu bem, para o bem da minha família que quer me ver com saúde. Deixar o medo de lado e o preconceito, é início para a saúde adequada masculina, tem que procurar o médico sempre, não podemos ficar esperando”, conta.

» A esposa Valdirene esteve durante todo tratamento ao lado de Mauryneto

Cintia Zache
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