Doença em plantações é debatida no Espírito Santo

Órgãos estaduais estão atentos aos riscos da Greening, doença que atinge plantações de frutas cítricas e que ainda não foi detectada no ES

Por Gabriela Zorzal

Painel com imagens de folhas e pessoas sentadas de costas em plenário
Foto: Ellen Campanharo

A Comissão de Agricultura discutiu com pesquisadores e produtores da área os riscos da doença Greening, que atinge plantações de citricultura, em especial as produções de laranja, limão e mexerica. Uma das consequências é a perda da produtividade das plantas. A doença ainda não foi detectada no Espírito Santo, mas órgãos estaduais já estão monitorando como forma de prevenção.

De acordo com Ringo Batista de Souza, agrônomo do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado (Idaf), a doença é causada por uma bactéria que tem como vetor o inseto Diaphorina citri. O Greening possui uma fase assintomática que pode durar até 36 meses e a manifestação é um processo lento.

A bactéria bloqueia o fluxo da seiva das raízes, tronco e folhas. Por isso como resultado a planta apresenta folhas amareladas e frutos deformados, sem o mesmo componente nutricional de uma planta saudável. A doença foi identificada pela primeira vez em 1919, na China, e chegou ao Brasil em 2004, com registros em plantações paulistas. Atualmente, ela também foi detectada em regiões de Minas Gerais.

Monitoramento

O Idaf desenvolve um trabalho conjunto com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e a Universidade Federal do Espírito Santo para monitorar o aparecimento da doença.

“O trabalho consiste em capturar o inseto e identificar a bactéria no vetor por meio de exames. Com isso, conseguimos saber quais regiões estão vulneráveis e agir de maneira preventiva”, explicou Souza. Ele desenvolveu, junto com outros servidores do Estado, o AlertGreen, um sistema para monitorar a doença. O projeto foi, inclusive, vencedor em uma das categorias do Prêmio Inoves 2018, que premia ideias criativas e inovadoras no setor público.

Uma das formas de disseminação da doença é a compra de mudas contaminadas. “Existe o mercado de mudas clandestinas porque existe quem compra. O produtor rural é o grande responsável pela manutenção de um mercado clandestino, sem registro fitossanitário”, alertou o agrônomo.

Impactos 

A engenheira agrônoma do Incaper Mariana Abdalla Prata Guimarães destacou os impactos econômicos e sociais da doença. “A possibilidade de entrada do Greening no Estado é muito preocupante. A doença tem um impacto econômico e social. É fundamental registrar que as perdas de produtividade são enormes. E nós temos famílias que dependem totalmente da produção de frutas cítricas. Por isso, é tão importante esse monitoramento como forma de prevenção”. Mariana também destacou a importância de orientar os produtores e capacitar os técnicos que atuam diretamente com essa comunidade.

A reunião foi presidida pelo deputado Torino Marques (PSL) e contou com as presenças dos deputados José Esmeraldo (MDB), Dr. Emílio Mameri (PSDB), Luciano Machado e Marcos Garcia (ambos do PV).

Os deputados decidiram fazer uma reunião com a Secretaria Estadual de Agricultura. “Essa agenda foi resultado de uma visita que eu fiz a Jerônimo Monteiro. Os produtores apresentaram essa demanda porque muitos não sabem o que fazer diante da possibilidade dessa doença. É fundamental que o Executivo fortaleça as equipes do Incaper e do Idaf para que consigam desenvolver trabalhos de orientação e prevenção”, destacou Torino.