Presídios do Espírito Santo têm a maior superlotação dos últimos 10 anos

São quase 10 mil presos a mais que o número de vagas. Secretaria de Justiça disse que está atuando em várias frentes para resolver o problema.

Presídio regional de Barra de São Francisco

Por Diony Silva, G1 ES e TV Gazeta

Em dez anos a população carcerária aumentou quase três vezes no Espírito Santo. Enquanto em 2009 o Estado tinha pouco mais de 8,5 mil presos, neste ano o número de detentos ultrapassa os 23 mil. Como a oferta de vagas nas unidades prisionais não acompanhou esse crescimento, os presídios registram a maior superlotação da última década, com um excedente de quase 10 mil internos.

O secretário de Justiça, Luiz Carlos Cruz, reconhece o problema e diz que tem trabalhado em várias frentes para solucionar o excesso de detentos.

Temos a previsão da construção de 2,1 mil vagas físicas e ampliação do monitoramento eletrônico até chegar a 3 mil monitorados, o que daria um total de 5,1 mil vagas. Além disso, estamos com um trabalho de captação de recursos, e com ele teremos a capacidade de construir mais 1,4 mil vagas”, disse.

Superlotação nos presídios capixabas é a maior da década — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Superlotação nos presídios capixabas é a maior da década

A Defensoria Pública do Estado acompanha a situação nos presídios e diz que um dos problemas é a quantidade de presos provisórios, que são aproximadamente 8 mil.

São aquelas pessoas que ainda não possuem nem uma condenação em primeiro grau. Essas prisões, muitas vezes, estouram o tempo razoável do processo e precisam ser relaxadas”, explicou Marcello Paiva de Melo, coordenador de execução penal da Defensoria.

Em setembro, os defensores fizeram um mutirão e analisaram aproximadamente 6 mil processos. Para Marcello, as condições do presídio influenciam diretamente na ressocialização do detento e, por isso, é importante que problemas como a superlotação sejam evitados.

Uma pessoa, quando entra no Centro Penitenciário, uma hora vai ter que sair. E ela precisa sair, se possível, melhor, com algum estudo que recebeu lá dentro, aprender um ofício, para que possa ser reintegrada à sociedade”, disse.