Pesquisadores capixabas participam de estudo sobre os impactos das mudanças climáticas no Atlântico

Pesquisadores unidos em Edimburgo — Foto: Professor Angelo Bernardino/Arquivo Pessoal

Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vão participar do maior estudo já realizado sobre a saúde dos ecossistemas profundos do Oceano Atlântico.

Juntamente com pesquisadores de 33 instituições da Europa, da Argentina, do Brasil, da África do Sul, do Canadá e dos Estados Unidos, pela primeira vez regiões desconhecidas do Atlântico serão mapeadas e sua ecologia investigada para responder como os ecossistemas marinhos profundos estão sendo impactados pelas mudanças climáticas.

O professor do Departamento de Oceanografia Ângelo Bernardino, que será o coordenador da pesquisa na Ufes, destaca que todo o estudo será feito exclusivamente no mar, em profundidades abaixo de 200 metros e com temperaturas abaixo de 5 ºC.

No Brasil, a pesquisa se concentrará numa profundidade média de mil metros. “São os primeiros esforços mundiais nesse sentido, de estudar ecossistemas profundos, que são tradicionalmente os menos conhecidos por uma dificuldade logística muito grande. O envio de equipamentos é difícil e a utilização dos navios é muito cara nessas profundidades”, afirma Bernardino.

Durante quatro anos, os ecossistemas profundos do oceano Atlântico, da Islândia à América do Sul, serão analisados para obtenção de informações inéditas sobre como a mudança climática está afetando a biodiversidade marinha e seus processos ecológicos.

O trabalho também ajudará a entender o impacto das atividades industriais em diversas regiões do Atlântico, incluindo mineração em águas profundas, pesca e extração de petróleo e gás.

Estudo ambicioso

O professor da Escola de Geociências da Universidade de Edimburgo J. Murray Roberts lidera o projeto e diz que o estudo é o mais ambicioso da história da humanidade sobre a saúde do oceano Atlântico.

“Muitas vezes esquecemos que vivemos em um planeta oceânico e que as vastas profundezas do mar fornecem 99% do espaço vital da Terra. Mas os oceanos estão sob enormes pressões de mudanças climáticas, pesca destrutiva, poluição plástica e outras atividades humanas. O projeto iAtlantic reuniu uma equipe incrível de todo o Oceano Atlântico e não podemos esperar para começar a verificação mais ambiciosa já realizada sobre a saúde desse oceano”, analisa o pesquisador.

A equipe internacional utilizará robótica marinha e tecnologia de imagens para desenvolver ferramentas de mapeamento para melhorar a compreensão dos habitats em águas profundas.

A combinação dessas descobertas com dados sobre o DNA das espécies oceânicas e seus habitats permitirá que os cientistas identifiquem os principais impulsionadores da mudança dos ecossistemas e determinem quais áreas do oceano estão em maior risco.

A Ufes vai receber cerca de R$ 300 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) para a realização do estudo, mas a maior parte do financiamento será feita pelo programa Horizonte 2020, da União Europeia. Serão investidos em média dez milhões de euros no projeto, com previsão de encerramento em junho de 2023.

Além da Ufes, pesquisadores das universidades de São Paulo, do Vale do Itajaí e da Federal de Santa Catarina serão os responsáveis pelas pesquisas na margem continental do Brasil.