Câncer de mama: ES tem 1.100 casos por ano

Em reunião na Comissão de Saúde, oncologista ressaltou importância do diagnóstico precoce da doença, que registra no país anualmente 60 mil novos casos

Por Titina Cardoso

Luiz Augusto Fagundes Filho
Comissão de Saúde se reuniu na manhã desta terça-feira / Foto: Ellen Campanharo

A campanha Outubro Rosa termina nesta semana, mas os cuidados para prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama têm de ser tomados durante o ano todo. O oncologista chefe do Serviço de Tumores Femininos do Hospital Santa Rita, Luiz Augusto Fagundes Filho, participou da reunião da Comissão de Saúde nesta terça-feira (29) e alertou para os números da doença: são 60 mil novos casos no Brasil e 1.100 novas ocorrências no Espírito Santo todos os anos.  

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De acordo com o médico, o Estado ainda tem um perfil epidemiológico intermediário, portanto, a situação ainda pode piorar. “Quanto mais hábitos ocidentais, mais obesos, mais sedentários, com um consumo cada vez maior de comidas industrializadas, maior o índice de câncer”, afirmou. 

O médico enumerou outros fatores de risco: idade (quanto mais velha a pessoa, maior a chance de ter câncer de mama); gênero (99% dos diagnósticos são em mulheres); consumo de bebida alcoólica; obesidade; menarca precoce e menopausa tardia; nuliparidade (mulher que não teve filhos) e idade do primeiro parto (quanto mais tardia a gravidez, maior o risco); história familiar; exposição à radiação; reposição hormonal; e tabagismo. 

Entre as recomendações para evitar a doença, o oncologista ressaltou a importância da amamentação, a adoção de uma dieta saudável, a prática de atividade física e manutenção de peso saudável, além da moderação no uso de bebidas alcoólicas. Segundo Fagundes, os vegetais e os alimentos ricos em fibras, vitamina A e selênio atuam como protetores e evitam o aparecimento da doença. 

Diagnóstico 

Para o diagnóstico precoce do câncer de mama, é muito importante, segundo o médico, que a mulher conheça o próprio corpo para notar quando há alterações na mama. Além do autoexame, é essencial que a mulher realize o exame clínico com o especialista. O médico saberá orientá-la sobre a necessidade de realizar mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética, de acordo com sua idade e histórico. O Ministério da Saúde recomenda a mamografia a todas as mulheres a partir dos 50 anos de idade, no intervalo máximo de 2 anos.  

Mulheres cadeirantes

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Hércules (MDB), apresentou ao médico a reivindicação das mulheres cadeirantes que têm dificuldades em realizar a mamografia na rede pública de saúde. O oncologista explicou que a máquinas modernas têm capacidade para realização do exame nessa população. O que acontece é que os equipamentos são colocados em locais de difícil acesso para esse público. Portanto, o problema não são as máquinas, mas os locais onde elas são colocadas. 

O deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB) foi quem propôs o tema à comissão: “É possível fazer a prevenção. Estamos no mês de outubro, mas temos de ter um ‘ano rosa’, temos de estar atentos o ano todo”, alertou o parlamentar.