Água marrom e falta de abastecimento preocupam moradores no Norte do Espírito Santo

Por Eduardo Dias, G1 ES e TV Gazeta

Os moradores do distrito de Brejo Grande, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, reclamam da água marrom que continua saindo das torneiras mesmo após quatro anos do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, que contaminou com rejeitos de minério o Rio Doce. Pessoas que moram na região afirmam que a Fundação Renova prometeu melhorias, mas até agora nada foi feito.

“Estou esperando que quem foi o causador disso venha solucionar essa situação, pois nós estamos com o maior problema aqui. Trago água da rua de três em três dias para poder lavar roupa, para fazer comida. Não sei o que tem nessa água, se podemos consumir”, reclamou a dona de casa Amélia German.

Os moradores acreditam que a coloração escura e barrenta da água se deve devido ao Rio Doce ainda estar tomado pelos rejeitos de minério. Dano ambiental que também tem deixado moradores doentes.

“Tomo cinco comprimidos por dia. Estava passando mal e era uma dor de barriga grande. Eu e meu marido. Só depois que começamos a pegar água na rua para beber que a dor passou”, disse a moradora Maria da Penha Neres.

De acordo com os moradores, no início de 2016 a comunidade começou a perceber uma diferença na qualidade da água. Eles solicitaram, então, que a Fundação Renova fizesse a análise da água dos poços da região. O laudo só saiu em fevereiro desse ano e atestou alto teor de metais pesados na água.

Cor da água deixa moradores com medo de consumi-la  — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Cor da água deixa moradores com medo de consumi-la — Foto: Reprodução/TV Gazeta

A dona de casa Ana Maria Dias diz ter medo de utilizar a água devido ao estado crítico que ela se encontra. “Boto (a água) no filtro e depois fervo para poder beber. Estou adoecendo, tendo coceira e tudo. Para cozinhar, o arroz fica amarelo”, lamentou.

Na propriedade rural de Benedito Vieira está difícil cuidar dos animais e das hortas. Quando ele resolve cozinhar utilizando a água, logo a comida estraga.

Água tem saído suja de poços artesanais em Linhares — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Água tem saído suja de poços artesanais em Linhares — Foto: Reprodução/TV Gazeta

“É muito difícil. Aqui a gente mexe com horta e nada está dando. Fazer o alimento não dá, pois a comida vira aquela cola, azeda. Eu fazia na faixa de 700 reais por semana aqui na horta e agora estou nessa condição. Tem anos que estou aqui esperando para ver o que eles fazem comigo e ninguém resolveu nada”, protestou Benedito Vieira, que cobra uma solução da Fundação Renova.

Em nota, a Fundação Renova respondeu apenas que aguarda o resultado de novos estudos feitos na água da região para definir as ações de reparação que vai realizar na comunidade.