Fotógrafo capixaba relata drama vivido durante a prisão na Venezuela

“Eles viram que tínhamos um material como esse, com fotos de marcas de tiros, com vidro quebrado, e apagaram tudo que tinha. Até o que não tinha a ver com a Venezuela apagaram”, disse o fotógrafo capixaba Gabriel de Rezende, que ficou detido por cerca de 30h na cidade de Santa Elena de Uairén, a 15km da fronteira da Venezuela com o Brasil, no mês passado.

Em entrevista à TV Gazeta, Gabriel detalhou que tinha um projeto de ir até a fronteira para concluir um trabalho fotográfico iniciado em Boa Vista, capital de Roraima. A ida à fronteira estava prevista na proposta do trabalho.

“Fomos, eu e outros dois companheiros, até Santa Elena, mas por curiosidade mesmo, por turismo, entramos para conhecer porque nunca tínhamos ido”, relatou.

Mas, quando o trio voltava para o território brasileiro, foi parado por militares venezuelanos, que revistaram o carro e encontraram um drone, além de outros equipamentos eletrônicos.

Fotógrafo capixaba relata drama vivido durante a prisão por 30h na Venezuela — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Fotógrafo capixaba relata drama vivido durante a prisão por 30h na Venezuela — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Segundo Gabriel, é proibido ter drone na Venezuela, informação desconhecida por ele e pelos colegas de projeto.

“Nem tínhamos usado o drone. Eles queriam nos incriminar para nos levar para outra prisão, mais para dentro do país. Quando nos botaram para dormir, superiores do guardinha que ficava nos vigiando diziam ‘se alguém se mexer, pode dar um tiro na testa’. Então foi um terror psicológico muito grande”, falou Gabriel.

O contato por telefone com um padre jesuíta baseado em Boa Vista contribuiu para que a situação fosse resolvida da melhor maneira.

Fotógrafo capixaba relata drama vivido durante a prisão por 30h na Venezuela — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Fotógrafo capixaba relata drama vivido durante a prisão por 30h na Venezuela — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

“Nos deixaram fazer duas ligações. Então liguei para o padre, que mobilizou conhecidos, nosso caso chegou ao consulado e ao Itamaraty e foi resolvido de forma diplomática”, conclui o fotógrafo, que conseguiu recuperar o material dos cartões de memória.