Falta de inseticida prejudica o combate à dengue no Espírito Santo

Pavilhão da Saúde, Barra de São Francisco

Uma combinação de fatores pode explicar o alto número de casos notificados de dengue no Espírito Santo em 2019. Além de condições climáticas, o reaparecimento do sorotipo 2 do vírus e a falta de um importante inseticida contribuíram para que o Estado registrasse a 4ª maior incidência da doença no país. A informação é da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).

Mais de 59 mil casos da doença já foram registrados e 24 pessoas morreram. O número de casos registrado este ano é seis vezes o número de casos do mesmo período do ano passado.

Além disso, este tem sido o inverno com o maior número de casos dos últimos cinco anos, segundo a Sesa.

“Um dos fatores é a recirculação do sorotipo 2, um sorotipo que não circulava aqui no estado há cerca de oito anos. A gente tinha toda uma população suscetível a esse sorotipo, que vem adoecendo. Tivemos também um fator climático que contribuiu muito para o aumento de casos”, disse o coordenador estadual de combate à dengue, Roberto Lamperriere.

Larva de mosquito é encontrada por agente de saúde — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Larva de mosquito é encontrada por agente de saúde — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Além disso, o Malathion, inseticida que mata os mosquitos Aedes Aegypti na fase adulta não chega ao Estado desde abril desse ano. O Governo Federal é o responsável pela compra e importação, já que o produto vem de outro país. Mas o que o que foi comprado chegou com problema, e a empresa que fabrica ainda não mandou mais inseticida.

“Esse produto não é produzido para estoque, é por demanda. A produção demora. E mesmo quando chega no Brasil também demora sua liberação, porque precisa de autorizações, precisa de testes tanto da Anvisa quando do Exército Brasileiro”, disse Lamperriere.

Na Serra, município da Grande Vitória com maior número de incidência da doença, os agentes de combate tem colado cartazes com orientações pelo município, vistoriado terrenos baldios em busca dos focos e aplicado outro tipo inseticida, além de distribuir uma revista em quadrinhos pras crianças.

“Ele não tem a mesma eficácia do Malathion, mas também combate o Aedes”, disse o subsecretário de Saúde da Serra, Aldo Lugão.

Prefeitura da Serra usa outro inseticida no combate à dengue — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Prefeitura da Serra usa outro inseticida no combate à dengue — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

O subsecretário garante que as ações já têm apresentado resultados. “Nas últimas quatro semanas. a gente observa uma tendência de queda dos casos notificados e a gente mantém os nossos trabalhos em várias ações”, disse.

Enquanto o inseticida não chega, outras ações de combate ao mosquito da dengue foram intensificados no Estado. “80% dos depósitos estão dentro das residências. A população tem papel primordial na eliminação desses criadouros e no controle do mosquito”, disse Lamperriere.