União de famílias mantém a força da cafeicultura no Noroeste do Espírito Santo

Irmãos atuam em produção de café da família — Foto: Alessandro Bacheti/ TV Gazeta

O dia de muita gente só começa depois de uma xícara de café. Assim também é o despertar dos irmãos Lucas Venturim e Isaac Venturim. Eles têm uma propriedade rural em São Domingos do Norte, Região Noroeste do Espirito Santo, e é exatamente o café o negócio da família há anos.

A fazenda produz café com técnicas de despolpamento e secagem, que garantem sabor e aroma diferentes ao café conilon. Desde 1997, o pai dos irmãos já incentivava os filhos a produzirem o grão com esse diferencial.

“Meu pai sempre foi uma pessoa muito visionária em relação à qualidade. Então, nessa época, ele já queria fazer alguns investimentos que eram muito altos para o que tínhamos como matéria-prima”, contou Isaac.

Quando tinha apenas 17 anos, ele começou a trabalhar na lavoura de café e cursou administração, sem nunca deixar a roça. Já o irmão estudou engenharia e chegou a morar em Colatina por alguns anos. Em 2007, porém, ele decidiu voltar para São Domingos do Norte.

“Na época em que saí, eu não pensava em voltar. Mas, depois, a vida vai mudando a gente e deu vontade de morar no interior. Quando retornei, nós enxergamos essa possibilidade de trabalhar de uma forma que agregasse valor ao produto final”, destacou Lucas.

Juntando o conhecimento de administrador e de engenheiro, os dois conseguiram colocar em prática o que o pai deles, Bento Venturim, tinha planejado. A produção, que em 2007, era de 350 sacas de café conilon, passou para 4500 sacas, no ano passado – quantidade aproximadamente 13 vezes maior.

A união de irmãos também ajudou no crescimento de outra lavoura, localizada no interior de São Gabriel da Palha, também no Noroeste do Estado. Em 1994, Zilton Acerbi comprou uma lavoura de café e produziu, na época, cerca de 200 sacas de café conilon. Na safra deste ano, a produção deve chegar a 1000 sacas.

Por lá, todo o trabalho é feito pelo pai e pelos dois filhos, Edney Acerbi, de 35 anos, e Erneson Acerbi, de 41. O mais novo assumiu a administração da fazenda apostando na força da cafeicultura capixaba.

“Eu enxerguei aqui uma oportunidade que meu pai me deu. Uma oportunidade de ter uma vida mais fácil”, disse.

De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), 54% da produção de café do Espírito Santo vem da agricultura familiar, que é a base da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel).

“As pessoas trabalham juntas: filhos, pais, família inteira. Todo o grupo familiar é que pega no batente para fazer atividade de render”, disse o Presidente da Cooperativa, Carlos Bastianello.

Atualmente, a Cooabriel tem 5.900 sócios e, só neste ano, deve receber 1,6 milhão de sacas de café – um recorde na produção. Para manter esta força, a Cooperativa tem se preocupado com a continuidade do trabalho na lavoura.

“A orientação que nós passamos é que o produtor faça a sucessão gradativamente, já que é um processo que leva tempo para ser bem-feito. Quem assume tem que entender que a atividade pode ser um bom negócio”, disse Bastianello.

Para Zilton Acerbi não há dúvidas de que a família é a força da cooperativa e da cafeicultura. “Sempre acreditei que a base de tudo, tanto na zona rural quanto na zona urbana, é a família”, disse.