Tratamento devolve audição a pacientes com surdez no Espírito Santo

Por Diony Silva, G1 ES e TV Gazeta

O pequeno Diego, de apenas 3 anos, que nasceu surdo, começou na segunda-feira (24) a fazer aquilo que é rotineiro para muitas crianças e que até então para ele não era possível: ouvir, pela primeira vez, a voz da mãe. O menino recebeu um implante coclear e no momento em que o aparelho foi ligado ele ficou paralisado, sem reação, parecia não entender o que estava acontecendo.

A mãe dele, a dona de casa Priscila Ferreira Costa, se emocionou ao ver a reação do filho. “É um novo nascimento, auditivamente falando. Fiquei feliz”, disse ela.

Kamilly Ferri, de 7 anos, também nasceu surda e com três meses fazendo o tratamento já está conseguindo desenvolver a fala. A mãe dela, Lauriete Ferri, relembrou que os primeiros dias após o nascimento da filha foram de preocupações e incertezas.

“Ela nasceu em um sábado e no domingo fizeram o teste no ouvido e ela não passou. Depois, com com o tratamento, quando ela começou a falar as primeiras palavras, foi maravilhoso. O primeiro ‘eu te amo, mamãe’ eu chorei e não acreditei. Estava conversando com ela, ela olhou para mim e falou: ‘te amo, mamãe’. Nossa, foi muito emocionante”, disse Lauriete.

Kamilly vem fazendo o tratamento para tentar recuperar totalmente a fala — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Kamilly vem fazendo o tratamento para tentar recuperar totalmente a fala — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O diretor de economia solidária Wilson Azevedo Filho é outro paciente que voltou a ouvir pela primeira vez na última segunda-feira (24). Ele ficou surdo há 15 anos e com o implante coclear recuperou a audição.

“Vou ter que me adaptar a esse mundo novamente. Depois de 15 anos sem ouvir, não vai ser fácil, mas é como se eu tivesse recuperado o braço direito e o esquerdo. Agora tenho os dois braços de volta”, descreveu Wilson.

Wilson voltou a ouvir após 15 anos surdo — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Wilson voltou a ouvir após 15 anos surdo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Tratamento

De acordo com a fonoaudióloga Carmen Barreira Nielsen, que é coordenadora do programa de implante coclear do Hospital das Clínicas de Vitória, o procedimento muda completamente a vida da pessoa. A unidade hospitalar recebe em média três novos pacientes por semana.

“É uma nova esperança para o paciente. Aqueles que já ouviram e perderam a audição tiveram uma grande limitação social no trabalho, de isolamento, e depois passam novamente a serem incluídos. Quanto às crianças, é uma oportunidade de fazê-las ouvir que vai permitir que elas se desenvolvam plenamente”, relatou.

Fonoaudióloga Carmen Barreira Nielsen — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Fonoaudióloga Carmen Barreira Nielsen — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Para receber o implante de coclear, porém, o indivíduo precisa passar por uma série de etapas para que todas as outras possibilidades, como um possível problema no aparelho auditivo, sejam descartadas.

“O paciente que chega ao programa de implante passa por uma avaliação multiprofissional que envolve avaliação audiológica, para saber o quanto ele escuta, avaliação psicológica, avaliação social e otorrinolaringológica”, explicou a fonoaudióloga.

A médica destaca que o procedimento já está sendo realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas só pode ser feito após o paciente procurar uma unidade de saúde e pedir um direcionamento.