Transporte em Barra São Francisco nos anos de 1935 a 1942 e as suas dificuldades

Por Jader Alves Pereira
Edivaldo Machado Lima (FACE)

Entre os anos de 1935 a 1942, Barra de São Francisco era um aglomerado urbano praticamente ilhado. Poucos caminhos de ligação com outras regiões, a maior parte só transitava em lombo de cavalo ou a pé.

Para ir a São Mateus, ainda sede municipal da região, pois Barra de São Francisco pertencia a esta cidade, havia ainda a alternativa de viagem pelo Rio São Mateus, ainda caudaloso. Aí, chegou o Capitão Djalma Borges que resolveu fazer uma estrada de Mantena a Águia Branca, cerca de 70 Km, a golpes de enxada e enxadão.

Mas e os operários? Ele, muito temido na época, visitou fazendeiros e recrutou entre seus serviçais, ¨voluntários¨, além de presos da justiça na região. Ainda era pouco. Ele então conseguiu trazer de Vitória outros presidiários e a estrada foi feita.

O Capitão tinha uma camionete Ford, que foi o primeiro veículo motorizado a adentrar em Barra de São Francisco. Agora já tínhamos estrada de rodagem de nossa região à capital. Depois dele, os carros que transitaram primeiro era de Gonzales De La Fuente e Tito Waldemar Vieira.

Grupos madeireiros de Colatina começaram a investir na região, entre eles os Brotas, Spalta, Sigisberto, Vivacqua, Polastro, Barbosa e Marques, Barbados e outros. Esses empreendedores começaram a investir na abertura de novas estradas, inclusive as que ligaram primeiro Barra de São Francisco a Ecoporanga, passando por Vermelha, Santa Luzia (Vila Poranga) e Santa Terezinha.

Era o ciclo da madeira, que foi anterior ao do café, pois
a viagem de Águia Branca a Colatina era feita por uma jardineira, de propriedade da família Achiamé, pioneira na região em transportes coletivos. Em 1953 ela iniciou a linha Mantena a Colatina.

Os motoristas pioneiros eram Sebastião de Tal (Tiãozinho) e Darci Gomes da Silva. Tempos depois ela vendeu a linha para José Rodrigues Trindade e Canjica. Mas a família Achiamé ainda fazia esporadicamente a exploração do trecho, com ônibus Chevrolet Cara de Sapo. Que fez história por aqui. A empresa dela já se chamava Águia Branca.

Aqui em Barra de São Francisco os empresários acordaram para esse negócio e o Sr. Demerval Barbosa Pinto, o Nininho começou a fazer com sua perua a linha Barra de São Francisco a Mantena, transportando em média 10 pessoas por viagem. Outro que resolveu explorar o transportes foi Dionísio Cardoso.

Em 1954 ele inaugurou uma linha de Barra de São Francisco ao Rio do Campo. O motorista? Era um jovem que depois se transformaria no grande empresário da região, Samuel Cardoso. Alto Palmital também ela ligado à sede, com carro de propriedade do Dandão.

A segunda metade dos anos de 1950, marca a chegada a Barra de São Francisco dos irmãos Chieppe, começando por Ailmer Chieppe, que após ter comprado a linha Barra de São Francisco a Ecoporanga de Raimundo Geraldo, vem para a cidade, morando cerca de um ano por aqui.

Depois dele vem também o irmão Vander Chieppe. Mais tarde a Águia Branca é representada por Claudio Moura, que se notabilizou como zagueiro do time local, o Santos Futebol Clube.

Algumas divisões internas contribuem para o surgimento da Viação São Francisco e venda de linhas locais para a Viação Pretti. A ligação viária de Barra de São Francisco com o resto do país, estava consolidada.