Foto ilustrativa. 

Atualmente, as formas de prevenir a gravidez são inúmeras e simples, mas antigamente, as mulheres se submetiam a métodos arriscados e complicados

Larissa Agnez / Folha Vitória

Pílula anticoncepcional, camisinha masculina e feminina, dispositivo intrauterino, espermicida, contracepção cirúrgica, contracepção hormonal injetável… são inúmeros os métodos para prevenir a gravidez indesejada atualmente. Mas, como mulheres e casais faziam no passado para evitá-la? Os métodos utilizados segundo os especialistas até possuíam “sentido”, mas ofereciam riscos à saúde.

Métodos

No Antigo Egito as mulheres recorriam as fezes de crocodilo, considerado um método muito doloroso. Elas produziam uma substância pastosa e misturavam as fezes ao leite azedo e introduziam na vagina ou na vulva. A explicação era criar uma barreira ácida que impedisse a passagem dos espermatozoides.

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A ginecologista e obstetra Lorena Baldotto, comenta que realmente fezes são extremamente ácidas, mas que o método não teria eficácia comprovada. Além disso, é extremamente infecioso e deveria contaminar a população na época.

Foto: Museu de Ciências Londres
Pessário Vaginal. 

Outro método era o pessário vaginal, muito utilizado no final do século 18 e início do século 19 na Europa. O dispositivo era desconfortável e colocado no colo do útero da mulher por até quatro meses. A explicação para usar o pessário era a crença de que o objeto impediria que os embriões recém-formados se implantassem no útero e começassem a se desenvolver.

“São métodos totalmente contra-indicados, apresentam alto risco de contaminação e perfuração do órgão genital feminino”, alertou Baldotto.

No passado, também havia quem acreditava que pular para trás era uma forma segura de evitar a gravidez. O ginecologista grego Soranus, recomendou que as mulheres no século 2 pulassem para trás sete vezes e espirrassem imediatamente após o sexo para evitar a gravidez.

A ginecologista Lorena Baldotto, comenta que faz sentido, porém não resolve. “Os movimentos e o espirro ajudam a expulsar ‘coisas’ da vagina, mas a quantidade de sêmen na ejaculação costuma ser mais do que suficiente pra engravidar”.

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Camisinhas antigas. 

Já durante a Revolução Inglesa (entre 1642 e 1688), o método utilizado foi um pontapé para a indústria de preservativos: os soldados do rei Carlos 1 receberam camisinhas feitas de intestinos de peixes e ovelhas para protegê-los de doenças sexualmente transmissíveis.

As camisinhas tinham de ser embebidas em água por algumas horas antes de usar para que se tornassem mais flexíveis e fáceis de colocar. Os objetos eram amarrados na base do pênis com uma corda para mantê-los no lugar e, depois de usados, eram lavados cuidadosamente, colocados para secar e guardados para a próxima vez.

Para a ginecologista Lorena Baldotto, as camisinhas de intestino de ovelha e peixe não apenas tinham sentido, como inclusive, foi por meio delas que surgiram as primeiras camisinhas na indústria. Com o tempo o material foi sendo trabalhado e aperfeiçoado.

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Mercúrio em estado líquido. 

No século 7 na China, as mulheres foram aconselhadas a beber uma tintura de metal tóxico (mercúrio) para evitar a gravidez,e pode até ter funcionado, mas essa mistura venenosa causou esterilidade e, em muitos casos, uma morte agonizante. “Ingerir mercúrio é altamente letal e tóxico, com risco de comprometimento para a saúde da mãe e má formações no bebê”, comentou a ginecologista Lorena.

A especialista ainda lembra de um método que já foi muito utilizado e, ainda é até hoje, opção para alguns casais: o coito interrompido. “Na Bíblia encontramos a história de Onã, que ao ter relações sexuais com Tamar, realizou um dos métodos contraceptivos mais antigos e mais falhos da história – a interrupção do coito, eliminando o sêmen durante a ejaculação no chão! Em razão dessa atitude foi punido severamente por Deus”.

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Ginecologista e obstetra, Lorena Baldotto. 

Lorena explica que os métodos utilizados também tem aspectos culturais, muitos partem de crenças entre as pessoas. “Tem gente que ainda acredita nas simpatias e antigamente elas eram muito utilizadas. Algumas pessoas sugerem até mesmo plantas e chás para abortar. Alguns casos são ainda piores, eu mesma já tive paciente que tentou furar e manipular objetos na vagina, como velas. Uma outra mulher, colocou permanganato de potássio. Todas, são atitudes muito perigosas e desnecessárias. Hoje temos uma série de métodos eficientes, de fácil acesso e que além de prevenir a gravidez, previnem as doenças sexualmente transmissíveis, que é a camisinha. Não há mais necessidade de colocar a vida em risco”, finalizou a médica.

*Esta matéria contém algumas informações da BBC News.