Ifes só terá orçamentos para custear as despesas da instituição até setembro deste ano, diz reitor

Prédio da antiga Faculdade São Francisco, onde funciona hoje o Campus do Ifes em Barra de São Francisco

O bloqueio anunciado pelo MEC representa cerca de 38% do valor total de custeio da instituição.

Caso os cortes anunciados pelo Ministério da Educação (MEC) se confirmem, o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) só terá orçamentos para custear as despesas da instituição até setembro deste ano, segundo o reitor Jadir Pela.

O bloqueio de 30% na verba das instituições de ensino federais foi anunciado pelo MEC na noite de terça-feira (30). O comunicado foi feito depois das reações críticas ao corte de verba de três universidades que tinham sido palco de manifestações públicas.

O valor representa um contingenciamento de 38% da verba destinada ao custeio, para manter o funcionamento da instituição. Para o Ifes, a porcentagem corresponde a uma perda de aproximadamente R$ 25 milhões dos R$ 64 milhões orçados para o ano de 2019, segundo o reitor.

“COM ISSO, A GENTE PAGA AS CONTAS ATÉ SETEMBRO. A PARTIR DE SETEMBRO, NÃO TEMOS MAIS RECURSO PARA TOCAR A INSTITUIÇÃO”, EXPLICOU PELA.

Ainda de acordo com o reitor, o Instituto já vem fazendo cortes e economias em várias áreas, há pelo menos três anos, quando absorveu perdas em sucessivos cortes e ações de redução de gastos movidos pelo governo federal.

“Estamos perdendo, ano a ano, R$ 20 milhões. Já trabalhamos para reduzir todos os gastos de dois anos para cá, com vigilância, limpeza. A gente já chegou no limite dos cortes. O que cortar agora vai afetar a qualidade do ensino da instituição”, lamentou.

Em nota oficial, o Ifes pontuou que “as primeiras consequências do bloqueio orçamentário serão interrupções nos pagamentos de contratos de limpeza, segurança, água, luz, insumos de aulas práticas, manutenção de equipamentos e laboratórios. Além de interrupção na realização de visitas técnicas e de pagamentos de assistência estudantil”.

Negociação

Assim como outras instituições, o Ifes estuda meios de negociar e reverter a situação. Na terça-feira (7), reitores vão participar de uma reunião em Brasília. A nível estadual, a classe tem pedido apoio de parlamentares.

Instituto

Com 22 campi, o Ifes atende atualmente 35.664 estudantes no Espírito Santo, em cursos de qualificação de trabalhadores, em nível técnico e superior (graduação e pós-graduação), além de formação de professores.

Sindicato

Para o diretor do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) Ifes, Thalismar Gonçalves, o anúncio do corte de verba é uma “perversidade” e vai causar graves prejuízos à comunidade acadêmica e à sociedade como um todo.

“O Sinasefe tem como bandeira defender o direito dos servidores, o que significa defender também a qualidade da educação pública. O corte de verbas é um ataque direto a esse projeto político de educação, é um ataque às instituições que têm proporcionado a formação de cidadãos críticos”, disse.

O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) informa que, caso o bloqueio de parte dos recursos destinados para as suas ações no ano de 2019 se concretize, não terá condições de funcionamento a partir de setembro deste ano. O bloqueio foi anunciado pelo Ministério da Educação esta semana e representa cerca de 38% do valor total de custeio da instituição.

A instituição absorveu dedução orçamentária de mais de 25% desde 2015, quando perdeu R$ 20 milhões em sucessivos cortes e ações de redução de gastos movidos pelo Governo Federal. Muitos contratos continuados, como os de vigilância, limpeza e manutenção predial, que representam os maiores gastos, já foram revistos e reduzidos ao longo desse tempo. O Ifes já fez a sua parte no ajuste fiscal.

Agora, com o anúncio do contingenciamento de mais de R$ 25 milhões para o orçamento de 2019, e sem margem para ajustes de gastos, caso decisão do Governo seja mantida, a instituição será forçada a rever as suas atividades a partir de setembro deste ano. Isso porque as primeiras consequências do bloqueio orçamentário serão interrupções nos pagamentos de contratos de limpeza, segurança, água, luz, insumos de aulas práticas, manutenção de equipamentos e laboratórios.

Além de interrupção na realização de visitas técnicas e de pagamentos de assistência estudantil, entre outras ações. Com profissionais menos qualificados a sociedade perde, a economia enfraquece, os trabalhadores se prejudicam e o desenvolvimento do país estaciona e retrocede.

Os gestores da instituição já estão buscando formas de tentar reverter a decisão do MEC, por meio de realização de reuniões na próxima semana com representantes do ministério, e também com representantes da bancada capixaba no Congresso Nacional.

Com 22 campi, o Ifes atende atualmente 35.664 estudantes no Espírito Santo, em cursos de qualificação de trabalhadores, em nível técnico e superior (graduação e pós-graduação), além de formação de professores. O Ifes coleciona resultados expressivos em todas as áreas que atua em 109 anos de história, e mantém a esperança de continuar prestando à sociedade uma educação pública, gratuita e de qualidade.