Depois de 12 meses em queda, o desemprego voltou a subir no Espírito Santo. Segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (16), atualmente 260 mil pessoas estão desocupadas no Estado.

A pesquisa apontou que a taxa de desocupação nos três primeiros meses de 2019 no Espírito Santo ficou em 12,1%, um pouco mais baixa do que a registrada no mesmo período do ano passado (12,5%). No entanto, o resultado representa uma quebra na sequência de baixas dos índices de desemprego no Estado.

No segundo trimestre de 2018, a taxa caiu para 12%. Nos três meses seguintes, foi para 11,2% e, no quarto trimestre, houve uma nova queda, para 10,2%. Dessa vez, o aumento foi de quase dois pontos percentuais, com relação ao final de 2018.

Economistas, no entanto, explicam que no último trimestre do ano sempre tem mais gente ocupada. “No final do trimestre passado, nós tínhamos muitas pessoas empregadas em atividades temporárias e quando o final de ano passou, obviamente essas pessoas perderam o emprego. Algumas foram efetivadas, mas outras perderam o emprego. E o segundo ponto interessante também é um pouco a própria situação econômica. Esse quadro de incerteza que nós estamos testemunhando, neste momento, faz com que alguns empresários não tenham muita confiança em contratar. Esse é um outro fator que explica bem esse movimento”, ressaltou o economista Michel Pontes Vieira.

Ainda segundo o economista, há motivos para preocupação, já que é possível ver no mercado uma redução no otimismo que havia para com o governo Bolsonaro e a capacidade dele de fazer as reformas, principalmente a da previdência.

“O governo, até o presente momento, não deixou muito claro qual é a política de empregos. Nós temos hoje um problema que não passa só pela quantidade de desempregados, mas também pela geração de empregos. Nessa questão de desemprego, esse seria um outro fator muito importante. O mercado está esperando: o que o governo pretende fazer com respeito à geração de empregos?”, questionou Vieira.

Sexo e faixa etária

Ainda de acordo com a PNAD, o Espírito Santo tem 45 mil desempregados a mais, em relação ao trimestre anterior, e mil a mais que no primeiro trimestre de 2018. A maior parte da população desocupada no Estado é composta por mulheres (54,1%). Já a faixa etária com o maior índice de desemprego é entre 25 e 39 anos (35,9%).

O levantamento constatou também que a diferença do rendimento médio mensal entre homens e mulheres chega a R$ 724 no Espírito Santo. Os homens recebem, em média, R$ 2.632 mil, enquanto o salário médio das mulheres é de R$ 1.908 mil.