Na região da Zona Litigiosa-ES/MG em Barra de São Francisco vivia três rapazes que se davam muito bem entre eles e que não se largavam nunca.

– Moravam todos juntos numa casa, assim que nem uma espécie de república de estudantes ali nas proximidades do centro, (hoje) Rua Cabo Elizeu Divino.
-Eram muito farristas e mulherengos. Era só chegar sábado, já procuravam saber onde é que tinha algum baile ou festa pra irem. E não faziam conta de andar; podia ser légua longe, davam um jeito e iam.

– tinha um deles que era o valentão de todos; não tinha medo de nada.

– Numa ocasião foram a pé num baile lá no Bananal, próximo de Mantena MG. Chegaram lá, a festa estava muito boa e os três amigos se divertiam muito. O baile estava cheio de moças bonitas e eles então faziam até aposta pra ver quem tirava uma ou outra que tinham achado mais linda.

-Quando bateu meia-noite, o que tinha mais juízo, lembrando na pernada que tinham que fazer pra voltar, lembrou a todos que já era hora de irem andando. Mas quê! Os outros nem deram confiança. A festa estava que estava mesmo de arromba.

-Daí bate uma hora, duas horas, três horas… Quando foi três e meia, viram mesmo que era bom irem embora. E vieram então pela estrada, cantando e dando risada e falando: você viu que “boa” que era aquela?Você chegou a beijar aquela morena?”Assim.

Quando entrou ali pelo Bambé em B S Francisco, naquela hora com ninguém na rua, eram umas quatro da manhã, viram andando na frente deles, uma moça muito bonita de salto alto, vestido azul e cabelo bem arrumado.

Assobiaram pra ela e ela nada; continuou andando.

Daí um deles disse:

– Olhe. Vamos fazer uma aposta: Eu quero ver quem é que é capaz de chegar nela e pedir pra acompanhar.

O que era o valentão logo respondeu:

– Mas isso nem tem dúvida que sou eu!

Os rapazes fizeram uma vaquinha entre eles:

– Ta aqui o dinheiro da aposta. Vamos ver agora.

E o valentão foi e os outros foram embora pra casa.

O moço então chegou pra moça e pediu pra ela se podia leva-lo pra casa. Ela parou (e era bonita mesmo!) e disse muito calma, pro moço, que não convinha ele acompanhar. Mas o tal era muito teimoso e insistiu. Ela disse: “faça então o que quiser”.

Foram andando. O moço tentava beijar e dar uns abraço e ela não deixavam. Mas chegou a pegar na mão dela e viu que estava muito fria. Quando chegaram ali próximo a Casa da Cultura(clube das Perobas) e Hospital, a moça para na porta do cemitério antigo de BSF.

E o moço:

– Ué, que ideia é essa? Parar aqui! Vamos embora pra sua casa.

Diz que a moça olhou bem pra ele e disse:

– Mas, minha casa é aqui mesmo, moço.

Diz que deu uma bruta tremedeira nele, mas a moça só falou:

Aprenda, nunca mais mexer com quem não conhece. O que te vale é essa medalha de São Jorge que você tem aí no peito.

E aquelas feições dela, tão bonita, começou a se esfumaçar e ela ficou com cara de caveira. Depois entrou como se fosse fumaça pelos vãos do portão do cemitério e sumiu no ar.

Causo- Edivaldo Machado Lima.
FACE – Fotos antigas de cidades capixaba / ES