DILMO: Bolsonaro dá uma de Dilma e Petrobras perde R$ 32,4 bilhões em valor de mercado

A ordem de Jair Bolsonaro a Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, para que revogasse o aumento do diesel fez a estatal perder R$ 32,4 bilhões em valor de mercado na Bolsa, informa a Folha.

“A interferência do governo”, explica o jornal, “assustou o mercado, que colocou nos preços das ações o receio de que intervenções se tornem a regra, e não a exceção.”

Depois da decisão do presidente, a Bolsa de Valores fechou em queda de 1,98%, e o dólar terminou o dia com uma leve alta, de 0,83%, cotado a R$ 3,883.

Estima-se que o congelamento do preço do diesel –para evitar novos protestos de caminhoneiros– acarrete uma perda de R$ 14 milhões por dia à Petrobras.

É o que dá Bolsonaro agir como “Dilmo”.

Ação de Bolsonaro na Petrobras lembra a de Dilma, que custou mais à estatal que corrupção

Ao impedir a Petrobras de reajustar o preço do diesel nas refinarias na última quinta-feira, o que provocou um tombo de 8,5% das ações da companhia na sexta-feira, assustou investidores pela semelhança com a ingerência da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff na estatal. Entre 2011 e 2014, preocupada com o controle da inflação, Dilma determinou que a Petrobras não repassasse para o preço dos combustíveis a alta do barril do petróleo no mercado internacional. O resultado foi um prejuízo bilionário, que custou mais à estatal que o esquema de corrupção desvendado pela Operação Lava-Jato.

Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a Petrobras acumulou perdas de R$ 71,2 bilhões entre 2011 e 2014 sem repassar para os preços de gasolina e diesel o que pagava na importação de derivados. Em 2015,  a estatal declarou perdas de R$ 6,2 bilhões com a corrupção em seu balanço relativo ao exercício de 2014. De lá para cá, a companhia recuperou R$ 3,2 bilhões do que foi desviado e definiu um valor total de R$ 40,3 bilhões que pretende reaver. Em janeiro de 2018, a estatal ainda desembolsou US$ 2,95 bilhões (cerca de R$ 11 bilhões)  para encerrar uma ação coletiva nos Estados Unidos movida por investidores que sentiram lesados com os casos de corrupção.

– O que a Petrobras perdeu com a defasagem (no preço dos combustíveis) não se recupera – destacou Adriano Pires, sócio da CBIE.

Nos dois anos seguintes, entre 2015 e 2016, o cenário no exterior se inverteu, com a queda do barril do petróleo, e a Petrobras acabou acumulando ganhos de cerca de R$ 31 bilhões. Até hoje a companhia não conseguiu recuperar totalmente o que perdeu no período em que foi impedida de reajustar os preços, no governo Dilma.

Na última quinta-feira, após saber que a Petrobras havia reajustado o preço do diesel em 5,7%, Bolsonaro ligou para Roberto Castello Branco, presidente da estatal, para suspender o repasse no preço por conta de um temor de que caminhoneiros possam iniciar uma greve, como a que paralisou o país no ano passado. O executivo estava a caminho do aeroporto para participar de um evento em Chicago e se reunir com investidores em Nova York. Mas, em meio a crise, ele decidiu antecipar sua volta: em vez de passar boa parte da semana nos Estados Unidos, ele retorna ao Brasil já na segunda-feira. Já na terça-feira, ele vai se reunir com Bolsonaro e ministros para tratar da política de preços da estatal.

Com a interferência de Bolsonaro, as ações da Petrobras caíram 8,5% na Bolsa de Valores de São Paulo na última sexta-feira. A empresa viu ainda seu valor de mercado ter uma redução em R$ 32 bilhões em um único dia. O reajuste que a Petrobras faria seria o primeiro com base na nova política de preços para o diesel, que previa alterações a períodos não inferiores a 15 dias.

– A política de até 15 dias para o reajuste do diesel não resistiu ao primeiro estresse do preço do barril do petróleo. Acendeu um sinal amarelo. A gente não tem uma política de preços com credibilidade – disse Helder Queiroz, ex-diretor da  Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Instituto de Economia da UFRJ.