A dentista é acusada de insultar com injúrias raciais o bebê de uma mulher com quem dividiu apartamento durante a faculdade, em São Paulo. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A Justiça de Piauí condenou na terça-feira (16) a dentista Delzuíte Ribeiro de Macêdo a 2 anos e 4 meses de prisão por injúria racial e racismo, além de três meses de detenção pelo crime de tentativa de lesão corporal leve. A decisão é do juiz Carlos Alberto Bezerra Chagas, da 1ª Vara da Comarca de São Raimundo Nonato, a 536 quilômetros de Teresina.

As informações são do Tribunal de Justiça do Piauí.

A dentista é acusada de insultar com injúrias raciais o bebê de uma mulher com quem dividiu apartamento durante a faculdade, em São Paulo. Em abril do ano passado, ela escreveu em sua página nas redes sociais uma série de comentários de cunho racista.

Em um deles, a dentista escreve ‘Já vi que você saiu da senzala, porém a senzala ainda não saiu de você”. E ainda: “Não me interesso por gente que nunca chegará ao meu tom de pele’.

‘Aí minhas amigas só me chegam com ‘amiga você viu que noiva feia’… ‘mulher, como uma filhinha de fulana é feia, você já viu?’, disse ela no Facebook. “Uma coisa eu caprichei nessa vida: eu não misturo o meu sangue com merda!”, completou.

O magistrado afirmou na sentença que foi comprovada a prática dos crimes de tentativa de lesão corporal, injúria preconceituosa/racial e racismo qualificado por meio de provas materiais e indícios suficientes de autoria da ré.

O juiz determinou a conversão da pena restritiva de liberdade em prestação de serviços à comunidade e na prestação pecuniária de vinte salários mínimos atuais. A ré deverá pagar 14 dias-multa, sendo cada dia-multa fixado em um salário mínimo (vigente no tempo do fato), e as custas processuais.

A denúncia foi ajuizada pelo Ministério Público do Piauí.

De acordo com a Promotoria, ‘a ré utilizou-se de palavras de cunho racista e preconceituoso em sua página na rede social Facebook para ofender a dignidade da vítima e, por conseguinte, cometido discriminação contra um número indeterminado de pessoas de uma mesma raça e cor’.

Delzuíte poderá recorrer em liberdade. Segundo a publicação, ela ainda não se manifestou sobre a sentença.