Caso Wesley Guidoni tem 1ª audiência 4 anos após crime

A primeira audiência para apurar a morte de Wesley Belz Guidoni, que foi morto dentro do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Colatina, na região Noroeste do Espírito Santo, acontece quatro anos após o crime. Ninguém nunca foi preso pelo crime.

Essa primeira audiência do caso foi marcada para o dia 25 de março, no Fórum de Colatina. Quatro agentes penitenciários são acusados de envolvimento na morte de Wesley. Além deles, testemunhas de acusação e defesa também serão ouvidas.

Os CDPs são presídios que recebem presos provisórios que ainda não foram julgados pela justiça. Wesley tinha 30 anos quando foi preso e levado para o de Colatina por desacato, resistência à prisão e danos, no dia 10 de janeiro de 2015. Quatro dias depois, ele foi encontrado morto na cela.

O inquérito policial foi concluído quatro meses depois da morte e apontou que Wesley tinha sido torturado e morto. Na época, 17 pessoas com suspeita de envolvimento chegaram a ser indiciadas.

“Segundo os laudos periciais e cadavéricos no local do crime, o que causou a morte foram agressões que ele sofreu no interior do CDP de Colatina. Ele sofreu lesões na coluna cervical, o pescoço quebrado e vários outros hematomas por todo o corpo”, relatou o delegado que cuidou do caso na época.

Família

A família espera que, com a audiência, o processo seja encaminhado e que para que os culpados sejam punidos. A mãe, Necilda Simoura Belz, revela que além da dor de perder o filho de forma cruel , ela ainda sofre com a impunidade de não ter o assassino dos filhos julgados.

Mãe de Wesley quer que a Justiça seja feita — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Mãe de Wesley quer que a Justiça seja feita — Foto: Reprodução/TV Gazeta

“É uma dor muito grande no meu coração que não tem nada nesse mundo que apague. É a dor do sofrimento e da impunidade que está acontecendo. Eu espero que no dia 25 seja feita a justiça e espero, em Deus, que eles paguem pelo crime que cometeram”, desabafa a mãe.

A Secretaria de Estado da Justiça informou que os agentes penitenciários investigados no caso não integram mais o quadro de servidores.

Tortura

A pena para o crime de tortura seguida de morte é de oito a dezesseis anos de prisão. Quando esse crime é cometido por um agente público, a penalidade pode ser aumentada de um sexto até um terço.