O medo de agulha faz muitos adiarem a realização de exames simples que detectam doenças sérias como o câncer, que quando diagnosticado precocemente tem chances de cura acima de 90%. Estudos realizados em laboratórios da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP prometem uma solução que facilitará ainda mais esses diagnósticos.

Os últimos resultados da pesquisa concluíram que o suor pode ser uma boa alternativa para o diagnóstico de câncer, já que encontraram nas amostras de suor de pessoas com a doença, “compostos voláteis com perfil diferenciado e em concentrações mais elevadas”, conta a pesquisadora Fernanda Ferreira da Silva Souza Monedeiro.

Esses compostos orgânicos voláteis (encontrados mais facilmente na forma gasosa) se apresentam com características diferentes nas amostras de suor de pessoas doentes. Para Fernanda, o achado dá margem à interpretação de que “esses indivíduos exalam um perfil diferente de compostos com relação aos indivíduos saudáveis”.

A pesquisadora comenta que os processos metabólicos normais levam o organismo humano a produzir naturalmente compostos orgânicos voláteis. Quando doente, o organismo apresenta processos diferenciados em suas células, produzindo, consequentemente, um conjunto diferente de compostos.

Com essas informações, Fernanda investiu no suor como amostra biológica, analisando possíveis diferenças na composição desses voláteis. Como compostos em maior concentração nas amostras de suor positivas para câncer, ela encontrou os aldeídos lineares, fenol e 2-etil-1-hexanol. Nas amostras de urina dos mesmos pacientes, as maiores concentrações foram o fenol e 2,6-dimetil-7-octen-2-ol.

Os resultados encorajam a busca pela dosagem combinada de um maior número de compostos voláteis. A pesquisadora acredita que, num futuro próximo, essa composição de voláteis orgânicos do suor possa informar mais detalhes para o diagnóstico de tumores, pois “ainda não foi possível aprofundar muito acerca dos níveis ideais destes marcadores para nos indicar a extensão e o local do tumor”.

Vantagens 

– Método de diagnóstico não invasivo;
– Simplicidade no preparo da amostra;
– Alta sensibilidade e especificidade; a possibilidade de detecção de vários tipos de câncer;
– Método acessível e relativamente de baixo custo para a análise.

*Com informações do Jornal USP