O bairro Santa Cruz, de Linhares, no Norte do Espírito Santo, foi considerado o bairro mais violento do Espírito Santo, de acordo com um levantamento feito pelo Observatório de Segurança Pública da Secretaria Estadual de Segurança (Sesp). Lá, foram registradas 13 mortes violentas em 2018.

O bairro tem aproximadamente 9,5 mil moradores. De acordo com o levantamento, os 13 homicídios foram dolosos, que é quando há a intenção de matar.

Santa Cruz ganha de bairros da Grande Vitória, como Feu Rosa e Vila Nova de Colares, na Serra; e Nova Rosa da Penha, em Cariacica, que tiveram 12 crimes desse tipo em 2018.

Bairro Santa Cruz, em Linhares, é o mais violento do Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Bairro Santa Cruz, em Linhares, é o mais violento do Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Casos

Em outubro de 2018, um adolescente de 14 anos foi morto com pelo menos quatro tiros na rua.

Outro crime que chamou a atenção aconteceu em dezembro. Um tiroteio durante o dia acabou deixando duas pessoas mortas e outras duas ficaram feridas. A confusão começou dentro de um ônibus que faz o transporte público no bairro.

Quem mora no bairro Santa Cruz e no Residencial Jocafe, localidade que faz parte do bairro, afirma que foram casos pontuais e que a comunidade é tranquila.

“É um lugar sossegado, ninguém mexe com ninguém não. Eu chego em casa depois de dez da noite e é tranquilo, ninguém nunca mexeu comigo”, falou o mecânico Antônio Moreira Meirelles.

Mas outros apontam o que poderia melhorar. “Eu penso que se tivesse uma infraestrutura melhor, um posto policial. Já vai fazer sete anos que estamos aqui e essas providências ainda não foram tomadas”, opinou a costureira Vilma Rodrigues.

Polícia Militar

O capitão Borba, da Polícia Militar, disse que o bairro conta com policiamento e que esse serviço será reforçado.

“O policiamento ostensivo já é aplicado, e isso é um procedimento contínuo no bairro, com rondas ordinárias, diariamente, 24 horas. Buscamos também uma aproximação com a comunidade”, definiu.

Outra ação citada pelo capitão está nas escolas da região: o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd).

Policiamento em Santa Cruz, Linhares — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Policiamento em Santa Cruz, Linhares — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Contato com outras realidades

O professor e doutor universitário em Sociologia, Antônio César Machado da Silva, já trabalhou em ONGs e falou um pouco sobre o que acredita que possa fazer mudar esse cenário.

“Você pode pensar programas de inclusão digital, em que crianças do bairro possam ter contato, efetivamente, com outros mundos. Você pode criar programas que tragam elas para a cidade e levem elas para outros lugar, porque provavelmente a maioria dessas crianças nunca atravessou a ponte”, acredita.

“Se elas começam a ter a possibilidade de entender que o mundo é muito maior do que elas imaginam, pensar que aquela realidade que vivem não é o destino delas, se torna mais fácil”, continuou o professor.

Prefeitura de Linhares

Para o prefeito de Linhares, Guerino Zanon, falta incentivo por parte do governo do estado.

“Se a bandidagem for atacada dentro do seu reduto preferido, que é a região Metropolitana, com certeza ela vai se deslocar para outros municípios. Então o governo do estado precisa ampliar o seu ângulo de atuação e precisa também sair de seus gabinetes na Grande Vitória e começar a conversar com as comunidades locais, para que possamos encontrar soluções mais rápidas e mais duradouras”, disse.

O prefeito ainda explicou que o município já faz ações no bairro para reduzir esse índice.

“Já reformamos a escola, estamos concluindo a reforma do ginásio de esportes, já concluímos a reforma do Ceim do bairro, concluímos também a reforma do estádio de futebol e estamos adquirindo uma área para construir uma nova e grande unidade de saúde, para que a atual funcione como um Cras. Além dos projetos sociais que já estão implantados, como as escolinhas de futebol e outras modalidades esportivas. A gente abraça mais ou menos 200 garotos”, contou.

Zanon disse que ainda que os esforços também são voltados agora para conversar com a comunidade, para ampliar os serviços ofertados.