Quase 200 transplantados do Espírito Santo estão sem remédio contra rejeição de órgãos

Por Mayara Mello, TV Gazeta

A auxiliar administrativa Ieda Aguiar já superou um transplante de rim, mas pode perder o órgão se o medicamento Ciclosporina continuar em falta no sistema público. O remédio faz com que não haja rejeição de órgãos transplantados. Mais de 180 pessoas estão na mesma situação em todo o Espírito Santo.

A situação já dura mais de um mês, segundo Ieda. A previsão da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) é que as Farmácias Cidadãs voltem a ter o medicamento a partir de 9 de março.

O remédio Ciclosporina é importante para evitar a rejeição do novo órgão e deve ser tomado durante toda a vida, mas é muito caro e não é vendido em farmácias comuns.

Remédio Ciclosporina está em falta no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Remédio Ciclosporina está em falta no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Ieda conta que recebeu um novo rim através da doação de uma amiga, há quase 14 anos. Ela esperou três anos até conseguir o órgão, porém, vive agora o risco de não ter o remédio.

“Eu só tenho medicamento até semana que vem e se ele acabar eu não sei como vou fazer para conseguir mais”, lamentou Ieda.

Sobre o prazo dado pela Secretaria de Saúde, 9 de março, Ieda disse que os poucos comprimidos que têm em casa não vão durar essa espera.

“A situação é realmente muito crítica. Muitos pacientes podem perder o órgão e outros até virem a óbito”, destacou.

Ieda Aguiar sofre com a falta do medicamento — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Ieda Aguiar sofre com a falta do medicamento — Foto: Reprodução/TV Gazeta

ONG Pró-Vida

No Espírito Santo, 186 pacientes que fizeram transplante precisam do remédio para dar continuidade ao tratamento.

O medicamento está em falta em municípios como Vila Velha, Vitória, Nova Venécia e Cachoeiro de Itapemirim.

Para o presidente na ONG Pró-Vida, organização que cuida de pacientes que esperam por um órgão e também de transplantados, a falta de medicamentos é constante no estado e já prejudica pessoas há anos.

“Já teve o terrorismo na cabeça do paciente porque ele ficou na fila esperando por um órgão, isso sem sequer ter a certeza se ele conseguiria o órgão ou se iria morrer. Agora vem mais esse terrorismo de ele ficar na casa dele aguardando o dia que vai ter medicamento. Isso sem saber se o casos dele terá um problema grave de rejeição ou não”, protestou Adauto Vieira.

Presidente da ONG Pró-Vida, Adauto Vieira — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Presidente da ONG Pró-Vida, Adauto Vieira — Foto: Reprodução/TV Gazeta

A Secretaria Estadual de Saúde disse que o remédio Ciclosporina está em falta porque um incêndio atingiu o galpão da empresa que fornece o medicamento, no fim do ano passado. Contudo, o órgão garantiu que a partir do dia 9 de março o Ciclosporina já estará disponível nas Farmácias Cidadãs.

No Espírito Santo, atualmente, 1.109 pessoas estão na fila de espera por um transplante de órgão. A maior demanda é por um rim: são 915 pessoas aguardando. Para quem demorou anos para conseguir ser contemplado, o risco de perder o órgão é inadmissível.

“O trato com essa falta de medicamento é uma pouca vergonha que acontece no nosso país, o descaso com a nossa vida, com a vida do ser humano”, desabafou Adauto.