As informações são do titular da Delegacia de Segurança Patrimonial (DSP), delegado Henrique Vidigal, responsável pelas investigações do caso.

De acordo com Vidigal, a Polícia Civil (PC) trabalha com a hipótese de o crime ter motivações passionais e financeiras. “Passamos a receber muitas informações veladas a respeito da participação da própria esposa da vítima. Segundo apuramos até o momento, a esposa mantinha diversos relacionamentos extraconjugais, que seriam, inclusive, de conhecimento da família da vítima e da própria vítima. Sem sombra de dúvidas, a Iraci praticou esse crime com objetivo de se ver livre do Luiz Carlos. Não sei o que acontecia no relacionamento deles, isso ainda será objeto de apuração. Mas, pelo que entendemos, ela, além de querer se separar, teria interesses financeiros nas possíveis pensões, seguros e bens que o Luiz Carlos possuía“, afirmou Vidigal.

Iraci, que prefere ser chamada de Carol, foi presa na manhã desta quarta-feira, no bairro Jesus de Nazareth, em Vitória, na casa dos pais. Durante a operação, batizada de “Viúva Negra”, os policiais civis também fizeram buscas em mais cinco endereços e prenderam outros dois suspeitos de envolvimento no crime: Carlos Francisco da Silva, o Cal, e a irmã dele, Sônia Francisco da Silva, a Tia Sônia.

Carlos alega ser inocente. Segundo a polícia, ele trabalhava como jardineiro na casa de Iraci e Luiz Carlos há um ano. As investigações apontam que Carlos e Sônia são o único elo entre Iraci e o suspeito de ser o executor do assassinato, Robert Smit Teófilo Rocha, de 23 anos, que continua foragido.

A polícia acredita que os dois irmãos receberiam dinheiro para indicar a Iraci alguém que aceitasse matar Luiz Carlos. A polícia ainda não sabe quanto foi oferecido aos suspeitos nem se o pagamento foi realizado.

Ainda de acordo com a polícia, Robert receberia um pagamento pelo assassinato e usaria o dinheiro para investir no tráfico de drogas. Ainda não se sabe se ele recebeu o pagamento nem quanto foi oferecido.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Robert tem passagens pela Justiça por tráfico de drogas e homicídio. “Ele estava cumprindo pena e, numa saída temporária, não retornou ao presídio e estava sendo procurado. E agora também pesa contra ele o mandado de prisão temporária por homicídio qualificado“, frisou.

Durante as buscas nesta quarta-feira, os policiais também foram a uma casa no bairro Porto Belo I, em Cariacica, onde Robert poderia estar escondido. O suspeito não foi localizado, mas, no imóvel, a polícia encontrou 76 kg de maconha. Um homem de 35 anos, que estava na casa, acabou detido em flagrante por tráfico de drogas.

Sônia, Iraci e Carlos estão em prisão temporária por homicídio qualificado e foram conduzidos para o sistema prisional na tarde desta quarta-feira.

Assassinato

Luiz Carlos foi assassinado no dia 10 de janeiro deste ano, quando chegava em casa, em Parque Residencial Nova Almeida, na Serra. Ele estava de carro, com a família, quando foi rendido por homens armados que, segundo a polícia, exigiram o dinheiro do cofre. Durante a ação dos criminosos, a mulher e as filhas do eletricista ficaram trancadas no banheiro.

Ainda segundo a polícia, Luiz Carlos teria entrado em luta corporal com os bandidos. Ele foi baleado na cabeça e morreu. Os criminosos fugiram e levaram, pelo menos, três celulares. Por causa da dinâmica do crime, o caso estava sendo tratado, desde então, como latrocínio – roubo com morte – e, por isso, foi encaminhado para a Divisão Patrimonial.

O eletricista era natural do município de Aracruz e morava no bairro há poucos anos. Ele e Iraci tiveram duas filhas: uma adolescente de 15 ano e uma jovem de 19. Nesta quarta-feira, elas também foram conduzidas à delegacia, na condição de testemunhas, e prestaram depoimento. A polícia também pediu a quebra de dados telefônicos das meninas e de todos os suspeitos presos.

Com informações da repórter Camila Ferreira, da TV Vitória/Record TV!