O ex-presidente do banco Banestes, Vasco Cunha Gonçalves, preso durante uma operação da Polícia Federal, foi solto na última terça-feira (05). Ele ficou preso por uma semana e, segundo o Tribunal Regional Federal (TRF), foi liberado por falta de provas.

Na ocasião da prisão, Gonçalves havia acabado de assumir a presidência do Banestes. A detenção aconteceu na última semana, durante a Operação Circus Maximus, que investiga fraudes do Banco Regional de Brasília, entre 2015 e 2016, quando ele era presidente da instituição.

Na decisão da liberação, o relator do caso, desembargador Ney Bello, disse que não há provas suficientes para justificar a prisão preventiva de Gonçalves. As investigações apontam o pagamento de propina de ao menos R$ 16,5 milhões a diretores do banco de onde era presidente.

O Ministério Público aponta que até ingresso para camarote vip do Rock in Rio 2015 foi pago como propina. “A própria atração, cujo custo para acesso ao camarote VIP certamente possui valor econômico acima de qualquer patamar que possa ser considerado um valor irrelevante, constitui vantagem indevida”, diz relatório da investigação.

Gonçalves é investigado por lavagem de dinheiro e ocultação bens. Ele renunciou ao cargo de presidente do Banestes. Até a publicação desta matéria, a defesa não havia divulgado nenhum posicionamento sobre as acusações e o Ministério Público não se pronunciou sobre a soltura de Vasco Cunha Gonçalves.

Presidência do Banestes

O administrador Vasco Cunha Gonçalves havia assumido a Presidência do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) no dia 28 de janeiro. Vasco Gonçalves tem 49 anos, é formado pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb) em Administração, com habilitação em Comércio Exterior e é pós-graduado em Finanças, pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC).

Até o início do ano, Gonçalves era o diretor-presidente do Banco de Brasília (BRB), função que desempenhou nos últimos quatro anos. É funcionário de carreira, e ocupou diversos cargos na instituição financeira, como o de diretor do Fundo de Pensão, superintendente financeiro, de Governo e de recuperação de crédito, e superintendente de controladoria.

Operação

A força-tarefa Greenfield, de Brasília, deflagrou a Operação Circus Maximus, que mira supostas fraudes no Banco Regional de Brasília (BRB). “A operação visa desarticular uma organização criminosa instalada no Banco de Brasília (BRB) que, desde 2014, vem praticando, junto com empresários e agentes financeiros autônomos, crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro, gestão temerária, entre outros”, afirma a Procuradoria.

De acordo com o Ministério Público Federal em Brasília, são “executados mandados de prisão temporária e preventiva, além de busca e apreensão de documentos, aparelhos eletrônicos e telefones celulares.

O Espírito Santo aparece em um dos endereços no qual a Polícia Federal deve buscar provas que fortaleçam a ação dos envolvidos. Além do estado capixaba, endereços comerciais e residenciais no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo também serão investigados”.