Por André Rodrigues e Jorge Félix, G1 ES e TV Gazeta

“Só quem tem na família ou em casa entende o que a gente sofre. As piadas que a gente enfrenta no dia a dia são muitas. Isso até melhorou nos últimos anos, mas a gente passa muito por isso ainda”, lamentou Dandara.

O desabafo é da jogadora de vôlei Dandara Ferreira, de 30 anos. Ela é transexual, mas teve que jogar em times masculinos por muitos anos. Há dois, conseguiu entrar em um time feminino, em Vitória.

Dandara atua na equipe capixaba em torneios e disse que sente que vem conquistando o respeito das colegas de quadra. Apesar disso, as dificuldades para vencer o preconceito ainda são muitas.

Dandara Ferreira explica dificuldade em se manter atuando entre as mulheres — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Dandara Ferreira explica dificuldade em se manter atuando entre as mulheres — Foto: Reprodução/TV Gazeta

“As piadas que a gente aguenta no dia a dia, as piadas do machismo, do preconceito, ainda acontecem muito. Melhorou muito também, mas mesmo assim a gente ainda passa por essas situações. Mas aqui, estou no meio delas [no time] e me sinto mais uma”, afirmou.

Experiência nas quadras

Além de Dandara, quem também desfila talento nos ginásios do Espírito Santo é a jogadora Cláudia Andrade. Há 10 anos atuando no vôlei de quadra, ela já disputou competições inclusive na Itália.

Para conseguir liberação para se inscrever em campeonato, contudo, Cláudia precisa comprovar através de exames que está apta para jogar entre mulheres.

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) exige laudos atualizados que comprovem o nível máximo de hormônios masculino no corpo.

Cláudia Andrade está no vôlei de quadra há 10 anos — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Cláudia Andrade está no vôlei de quadra há 10 anos — Foto: Reprodução/TV Gazeta

“Temos que seguir as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional, que exige a identidade de gênero declarada e mais 12 exames de testosterona, que precisam estar abaixo de 10 nanogramas por litro no sangue”, explicou Cláudia.

Especialista

O médico Eduardo Oliveira, que é especialista em medicina do esporte, pontua que o corpo humano sofre mudanças quando passa por tratamento hormonal.

“Essa mudança hormonal acontece porque, além de receber o hormônio feminino, elas também precisam estar o tempo inteiro com a testosterona controlada. Mulheres também têm testosterona, mas em uma quantidade muito menor do que homens”, declarou.

Orgulho

Responsável por cuidar das partes física e técnica das atletas, o treinador Sanderson Pimentel afirma que Dandara e Cláudia chegaram para somar na equipe.

“São pessoas que vieram para dar volume ao nosso treinamento, possuem um condicionamento físico bom e elevaram nosso time a um patamar melhor. Nossa equipe está evoluindo com elas”, concluiu Sanderson.