A audiência desta terça-feira (6) do caso dos irmãos Joaquim e Kauã, que morreram queimados dentro de casa em Linhares, terminou depois de oito horas de duração. Estavam presentes os pastores Georgeval Alves – acusado de estuprar, agredir e queimar as crianças – e Juliana Sales – mãe dos meninos e acusada de ser omissa.

Segundo a advogada que representa a família do menino Kauã, Lharyssa de Almeida, eles tiveram “demonstrações superficiais de emoção”.

Pastor Georgeval sendo escoltado após o fim da audiência, em Linhares — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Pastor Georgeval sendo escoltado após o fim da audiência, em Linhares — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Nesta audiência foram ouvidas cinco testemunhas, sendo quatro de acusação e uma de defesa, no Fórum de Linhares. Uma delas foi a irmã da pastora, Amanda Sales, que foi ouvida pela Justiça por cerca de três horas e meia.

Ao final da audiência, o pastor Georgeval foi o primeiro a sair, escoltado e de cabeça baixa. Ele entrou em uma viatura da Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) e retornou para o presídio de Viana.

Juliana Sales saiu em seguida, acompanhada por advogados. Ela está em Linhares desde 31 de janeiro, depois que foi solta do sistema penitenciário pela segunda vez. Entretanto, ela não pode sair da cidade.

A advogada Lharyssa Almeida, que representa a família de Rainy Butkovsky, pai biológico do menino Kauã, e está acompanhando de perto as audiências do caso, contou como os pastores se comportaram.

“Georgeval, como sempre, ficou de cabeça baixa. Em alguns momentos ele chorou, mas era uma demonstração muito superficial de emoção. A Juliana prestou muita atenção nos depoimentos, chorou também, sempre em contato com os advogados de defesa, mas demonstração emotiva foi alvo muito superficial mesmo. Essa é a conclusão que nós, advogados de acusação, chegamos diante desta audiência e das outras”, falou.

Sobre a liberdade de Juliana, ela disse que não concorda e que, juntamente com outros advogados, estão vendo a viabilidade jurídica de pedir a prisão dela novamente.

“Ela está em observação, pois qualquer regra imposta a ela que for quebrada, pode resultar em ela ser presa novamente”, explicou.

Juliana deixando o Fórum de Linhares — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Juliana deixando o Fórum de Linhares — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Crime

Os meninos Joaquim e Kauã morreram em um incêndio no dia 21 de abril de 2018, em Linhares. Georgeval, pai de Joaquim e padrasto de Kauã, foi acusado de estuprar, agredir e queimar as crianças. Já a esposa dele, Juliana foi presa porque, segundo o juiz, foi omissa e sabia dos abusos que as vítimas sofriam.

Eles são acusados de homicídio qualificado, estupro de vulneráveis e fraude processual. Georgeval ainda responde por tortura.

Irmãos morreram carbonizados em incêndio em Linhares, ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Irmãos morreram carbonizados em incêndio em Linhares, ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Juliana Sales: prende e solta

Juliana foi presa pela primeira vez no dia 20 de junho de 2018, na cidade de Teófilo Otoni, em Minas Gerais. Na época, ela logo foi transferida para o Centro Prisional Feminino de Cariacica.

Na madrugada de 8 de novembro, após uma decisão da Justiça de liberdade provisória, ela foi solta pela primeira vez. A decisão foi do juiz responsável pelo caso, André Bijos Dadalto, da primeira Vara Criminal de Linhares. O caso segue em segredo de Justiça e por isso não foram divulgados os argumentos que levaram o magistrado a essa determinação.

Entretanto, uma semana depois, no dia 14 de novembro, Juliana Sales foi presa novamente. Ela já havia voltado para Teófilo Otoni e foi detida no município.

O Ministério Público do Espírito Santo informou, por meio de nota, que entrou com recurso depois que Juliana foi solta, que foi acatado pela Justiça, reconsiderando a decisão anterior.

No dia 7 de dezembro, ela foi transferida novamente para o Centro Prisional Feminino de Cariacica, mas em 30 de janeiro, a Justiça expediu um alvará de soltura em favor dela, que saiu da penitenciária por volta das 20h.