O deputado estadual reeleito Sérgio Majeski (PSB) responsabilizou diretamente o ex-governador Paulo Hartung pela greve da Polícia Militar, ocorrida em fevereiro de 2017, e defendeu a lei da anistia de mais de 2,6 mil PMs, sancionada quarta-feira passada (16) pelo governador Renato Casagrande.

Desde quinta-feira (17) os advogados da Associação dos Cabos e Soldados iniciaram os procedimentos necessários para formalizar os recursos administrativos, a fim de suspender as penalidades impostas aos policiais.

Os policiais terão que apresentar uma solicitação ao Comando Geral da Polícia Militar, de acordo com legislação estadual e regulamento disciplinar, para  que seja considerado o perdão e inépcia de transgressão, com efeito retroativo a fevereiro de 2017.

O mês de deflagração da greve é lembrado pelo deputado Majeski: “Na terça-feira, 7 de fevereiro, nós, deputados estaduais, depois de oito horas de reunião com representantes dos familiares dos PMs, conseguimos um acordo que não incluía aumento salarial e que se o governador aceitasse, o movimento poderia ter acabado no dia seguinte”.

O governador – prossegue o deputado, não aceitou e ainda humilhou a Assembleia numa coletiva à imprensa, insinuando que havia um complô de políticos para atrapalhar o governo.

“O governador foi alertado várias vezes e nada fez para amenizar a insatisfação da tropa. Não abriu nenhum canal de diálogo, não dialogou com ninguém e o secretário André Garcia (Segurança) fingia que nada estava acontecendo”, afirma o parlamentar.

Para ele, o processo de anistia pode não ser o ideal, mas, de forma pragmática e realista, era o que tinha que ser feito, sob pena de a segurança pública no Estado ficar pior e mais desorganizada do que Hartung deixou.

O deputado lembra que “naquele lamentável episódio os dois lados erraram, mas o principal culpado foi o governo. Desde 2015 Paulo Hartung  vinha sucateando a Polícia Militar, cortando até gasolina e às vezes policiais tinham que  abastecer viaturas com o próprio dinheiro, sem coletes e até com munição vencida”.

Segundo o parlamentar, nos dias 1 e 2 de fevereiro, já havia nas redes sociais indícios de que haveria um movimento de familiares dos policiais militares nos quartéis.  Ele critica o fato de o governado ter se ausentado do Estado, para fazer uma cirurgia em São Paulo, sem passar o governo ao vice, César Colnago.

“Quem acompanhou todo aquele processo nos bastidores, sabe que o ex-governador foi o maior culpado, mas quem acreditou apenas no que leu em alguns jornais ou viu na TV, desconhece a maior parte do que ocorreu de verdade”, diz Majeski.

Durante o governo Paulo Hartung, as duas polícias, Militar e Civil, sofreram sucateamento. “O efetivo da PM que era de cerca de 11 mil em 2014, baixou para cerca de oito mil, com o risco de nos próximos meses ser reduzido ainda mais”, pontua o deputado, e esclarece: “A anistia concedida foi apenas administrativa, não é criminal, infelizmente a maior parte da grande mídia não divulga a grande parcela de culpa do ex-governador e do então secretário André Garcia”.