Larissa Agnez / Folha Vitória

O marceneiro José Leocadio de Souza teve a mão dilacerada por uma máquina policorte, utilizada para cortar ferro, aço e alumínio. O acidente ocorreu no fim de 2018. Era quase meio dia e José terminava um trabalho de confecção de portas, quando, por um descuido, a máquina puxou um parafuso e sua mão foi junto.

Na hora do acidente, José chamou um colega para que o ajudasse e pegasse a sua mão, que havia sido amputada. “Foi um impulso pensar na mão, eu falei ‘Geraldo me ajuda, pega a minha mão e vamos para o hospital’, sangrava muito eu fiquei muito assustado“.

Como as dores eram intensas, José resolveu buscar a segunda ajuda em um posto médico próximo ao local de trabalho, em Cariacica. Na Unidade Básica de Saúde (UBS), a vítima tomou uma medicação para amenizar a dor e o membro amputado foi armazenado em um pote com gelo. E a sorte realmente estava ao lado de José, que contou com ajuda de duas viaturas da Policia Militar, que foram desobstruindo o trânsito para que ele chegasse mais rápido ao hospital, após sair da Unidade de Saúde de Cariacica.

Depois que cheguei no hospital eu fui sedado e lembro de poucas coisas, mas quando acordei estava com a minha mão reimplantada e no devido lugar“. Atualmente, José faz fisioterapia semanal e nas sextas-feiras é acompanhado pelos médicos que o operaram. Sem plano de saúde, todo o procedimento foi custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e o marceneiro aguarda o dia 30 de janeiro para passar pela perícia do INSS.  José também conta que recebeu assistência da empresa em que trabalha e que não vê a hora de voltar as atividades, mas entende que é preciso ter paciência.

Agradeço por ter a minha mão de volta, é coisa de Deus. Sei que é preciso calma, paciência, mas não vejo a hora de voltar a trabalhar, ficar parado é muito ruim. E o conselho que dou para outras pessoas, principalmente quem mexe com marcenaria, que é um trabalho perigoso é para ter atenção, muita atenção. Não é preciso pressa, faça as coisas com calma e não deixem de se proteger com os equipamento“, lembrou a vítima.

O Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial de acidentes de trabalho. No Espírito Santo, a cada 45 minutos, ocorre um incidente no campo, nas empresas e indústrias.

Entenda como funciona o reimplante de mão 

Foto: Dr. Leonardo Pancini

O médico especialista em cirurgia de mão, Leonardo Pancini explica que o reimplante é preciso quando uma parte do corpo é completamente amputada, sendo necessário unir todas as estruturas novamente. De acordo com Leonardo é essencial seguir uma sequência e começar pelo encurtamento do tamanho do osso e sua fixação para facilitar as ligações dos tendões: flexores, extensores e nervos. Feito isso, é reconstituído a parte vascular –  segundo o especialista é o procedimento mais delicado da cirurgia porque é nesse processo que se ‘refaz’ artérias e veias. Quando se faz a ligadura vascular é restabelecido o fluxo sanguíneo e finalizado o procedimento com a estrutura de pele.

Em entrevista o médico explica detalhadamente o passo a passo, ouça:

Outros casos

No ano de 2015, um jovem morreu após sofrer um acidente de trabalho dentro da empresa em que trabalhava, no bairro Civit I, na Serra. Segundo informações, Jhonatam Pezin Caldeira, de 30 anos, tentava retirar uma pedra de granito, que estava dentro de um container, quando foi esmagado pela mesma.

Em novembro de 2018, O mecânico capixaba Sandro Ferreira da Silva, de 43 anos, morreu, durante uma avaliação em um guindaste, na plataforma Namorado 2 (PNA-2), na Bacia de Campos, norte do Rio de Janeiro.

Em julho de 2018, Três trabalhadores morreram em um navio atracado em Portocel, em Barra do Riacho, Aracruz, região Norte do Espírito Santo. Um quarto funcionário também precisou ser socorrido e foi hospitalizado. A suspeita é de que as vítimas tenham inalado um gás tóxico, que estava concentrado no porão da embarcação.

Esta matéria faz parte de uma série de notícias especiais sobre acidente de trabalho no Espírito Santo. Os próximos temas abordarão as temáticas ‘passo a passo do reimplante, os cuidados necessários’ e ‘dados regionais de acidentes e legislação’.