Ilha que abrigará imigrantes criminosos na Dinamarca — Foto: Emil Gjerdingnielson/Reuters

O Parlamento da Dinamarca aprovou nesta quinta-feira (20) o financiamento de um plano que colocará os imigrantes criminosos em uma pequena ilha no leste do país. A medida vale para estrangeiros que cumpriram pena em prisões dinamarquesas, mas não podem ser deportados por correrem risco de tortura ou execução nos países de origem.

Esse plano pretende enviar cerca de 100 imigrantes considerados “indesejáveis” pelo governo até Lindholm – uma minúscula ilha de 3 hectares não muito longe da capital, Copenhague. Há apenas um pequeno cais no local, a única ligação com o resto da Dinamarca.

Uma das poucas construções em Lindholm, ilha da Dinamarca que receberá imigrantes considerados 'indesejáveis' pelo governo local' — Foto: Emil Gjerdingnielson/Reuters
Uma das poucas construções em Lindholm, ilha da Dinamarca que receberá imigrantes considerados ‘indesejáveis’ pelo governo local’ — Foto: Emil Gjerdingnielson/Reuters

De acordo com a Reuters, Lindholm é usada como laboratório e crematório para cientistas da Universidade Técnica da Dinamarca, onde pesquisam doenças como gripe suína, raiva e outras doenças contagiosas – o que aumentou as críticas por parte da oposição. Um dos barcos que abastecem a ilha se chama “Vírus”.

A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou a ideia no início deste mês, quando o projeto ainda estava em discussão. “Tenho sérias preocupações com esse plano e nós vamos monitorá-los e discutir com o governo”, disse Michelle Bachelet, chefe de Direitos Humanos da ONU.

“Privá-los da liberdade com isolamento e estigmatização vai apenas piorar a vulnerabilidade deles”, afirmou Bachelet.

‘Indesejáveis na Dinamarca’

Ministra da Imigração e Integração da Dinamarca, Inger Støjberg, em 2016 — Foto: Mathias Loevgreen Bojesen/Scanpix/Reuters
Ministra da Imigração e Integração da Dinamarca, Inger Støjberg, em 2016 — Foto: Mathias Loevgreen Bojesen/Scanpix/Reuters

Parte do governo dinamarquês, porém, defende a medida. “Eles [os estrangeiros criminosos] são indesejáveis na Dinamarca e devem saber disso”, disse a Ministra da Integração, Inger Støjberg.

“Se alguém é indesejável na sociedade dinamarquesa, não deve incomodar o dinamarquês comum”, justificou Støjberg.

Os parlamentares incluíram o plano na votação do orçamento para 2019. Estima-se que o envio desses estrangeiros ocorra até 2021 e vá custar 759 milhões coroas dinamarquesas (cerca de R$ 450 milhões) aos cofres do país.

Manifestantes em protesto contra a proibição do véu islâmico na Dinamarca: nova proposta envolvendo muçulmanos causa polêmica — Foto: Reuters
Manifestantes em protesto contra a proibição do véu islâmico na Dinamarca: nova proposta envolvendo muçulmanos causa polêmica — Foto: Reuters

O país vem endurecendo as regras de pedido de asilo nos últimos anos, especialmente nos três últimos anos. Entre 2015 e 2017, o número de requerimentos do tipo caiu 75%.

Para isso, segundo a France Presse, a Dinamarca vem tentando dissuadir os solicitantes de refúgio. Um exemplo são os anúncios na imprensa libanesa para advertir sobre o endurecimento das condições para se instalar em seu território, ou o confisco de bens de valor dos migrantes quando cruzam a fronteira.

Além disso, neste ano, parlamentares propuseram negar cidadania dinamarquesa a quem recusasse aperto de mão. A Dinamarca também puniu, em agosto, a primeira mulher por uso em público de niqab – véu usado pelas mulheres muçulmanas que deixa apenas os olhos à mostra.