A possibilidade de uma nova paralisação dos caminhoneiros não está descartada no Espírito Santo pelos profissionais. De acordo com o representante da categoria no Estado, a decisão sobre a greve deve ser tomada até nesta quarta-feira (12), após reuniões realizadas em Brasília.

De acordo com Ubirajara Nobre, mais conhecido como Bira, representante dos caminhoneiros capixabas, em uma reunião realizada na noite desta segunda-feira (10), a categoria já havia decidido por uma paralisação nesta terça-feira (11), mas durante a madrugada, representantes em Brasília comunicaram que novas reuniões serão realizadas na capital federal sobre o assunto.

Bira embarcou para Brasília na manhã desta terça-feira para também participar dos encontros. “As reuniões acontecem hoje e amanhã para discutirmos sobre esta situação, que não é boa, nem para os caminhoneiros e nem para o Brasil”, disse.

Na manhã desta segunda-feira (10), caminhoneiros autônomos realizaram manifestações em rodovias do Rio de Janeiro e de São Paulo. A manifestação é contrária à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que proíbe multar empresas que estejam pagando valores em frete abaixo do mínimo estabelecido.

A tabela de frete foi uma das reivindicações da categoria junto ao Governo Federal. Em razão da crise econômica, muitos caminhoneiros estão cobrando abaixo do valor acordado. Segundo a categoria, isso acontece porque não há fiscalização. A maioria das lideranças ainda aguarda desdobramentos de medidas em discussão em Brasília. O movimento está dividido. Há grande insatisfação na base e líderes tentam conter uma radicalização.

De acordo com José Liemar Pretti, presidente da Transcares (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do Espírito Santo), os movimentos foram isolados em todo o país. Além disso, não houve informações de qualquer tipo de paralisação no Espírito Santo.

CNT

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou nota na qual se posiciona contra a greve de caminhoneiros e reafirma seu compromisso a favor do livre mercado. Na nota, informa ainda que nada tem a ver com o Comando Nacional do Transporte, que estaria utilizando a mesma sigla da entidade.

Divisão

A divisão dos caminhoneiros em relação a uma nova greve enfraquece o movimento. Ao contrário do que ocorreu em maio, quando a paralisação começou com apoio da população e até das empresas por causa do aumento do preço dos combustíveis, desta vez a categoria pode ter um movimento isolado.

Eles também ponderam que o País esta às vésperas do início da administração de Jair Bolsonaro. Muitos querem dar um tempo para o novo presidente começar os trabalhos e tomar decisões favoráveis à categoria.

Greve dos Caminhoneiros

Durante a greve dos caminhoneiros, que aconteceu em todo o Brasil no mês de maio deste ano, houve desabastecimento de alimentos e combustíveis, além de um grande prejuízo em diversos setores da economia. No Espírito Santo a paralisação durou 10 dias. No ápice do movimento, cerca de 1.300 caminhoneiros se concentraram em 26 pontos.