Apesar de produzir 10 milhões de metros cúbicos por dia e consumir apenas cerca de 3 milhões m³/dia, o Espírito Santo tem o segundo gás mais caro do Brasil.

Em nota técnica divulgada pelo Conselho Temático de Infraestrutura e Energia (Coinfra) da Findes, a conclusão é de que “a matriz energética do estado é curiosa”, porque o Espírito Santo importa energia elétrica mas exporta gás. Segundo o Conselho, a informação mostra o baixo potencial hidrelétrico capixaba, contudo indica uma oportunidade de o estado torna-se autossuficiente.

A maior parte do gás natural disponível no Brasil vem das plataformas produtoras de petróleo no mar ou da Bolívia, de onde é importado. E a partir daí, o gás é limpo e injetado no Gasoduto Sudeste Nordeste (GASENE), que se liga a todo o principal sistema de fornecimento de gás natural.

O gás natural no ES é usado pela indústria, comércio, setores termelétrico e veicular, e por consumidores de 13 municípios capixabas. No setor residencial, mais de 45 mil clientes são atendidos, sendo o gás distribuído diretamente por canalização. A indústria, entretanto, concentra 90% do consumo, em setores como o minerometalúrgico e as indústrias do plástico, da cerâmica, da geração de energia elétrica, da celulose, consumindo cerca de 3 milhões de metros cúbicos por dia e gerando milhares de empregos em diversas áreas“, explica o Coinfra.

Por que o gás é tão caro? Como é composto o seu custo?

É necessário lembrar que, no Brasil, tanto o fornecimento quanto a distribuição são atividades monopolizadas pelo Estado. Mesmo que não haja restrições legais ao fornecimento de gás por outras empresas, as condições práticas fazem com que somente a Petrobrás seja fornecedora e a BR Distribuidora, sua subsidiária, seja a única empresa de distribuição no Espírito Santo.

De acordo com o Boletim Mensal de Acompanhamento da Indústria de Gás Natural do Ministério das Minas e Energia – MME, em julho de 2018, para consumidor residencial, a molécula de gás, como é tratado o gás no mercado, foi vendida pela Petrobras para as Distribuidoras, aqui no Sudeste, ao preço de 6,1608 US$/MMBtu*. A esse preço é acrescido o transporte no valor de 1,6688, dando um total 7,8296. Mas, ainda segundo o mesmo relatório do MME, elaborado com dados obtidos da Petrobras, o preço ao consumidor final com tributos, para o setor residencial com nível de consumo de 12 m³/mês foi de 28,5242 US$/MMBtu, segundo as regras de contrato “Nova Política Modalidade Firme”. Isto significa que o preço final é 4,6 vezes o preço da molécula.

*US$/MMBtu é uma unidade de preço unitário que permite comparar preços internacionalmente e inclusive entre diferentes combustíveis, como o gás e o petróleo, para acompanhamento dos preços e sua evolução histórica.