A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao vírus HIV, indicada para pessoas soronegativas que mantêm relação sexual com pessoas soropositivas, chegou ao Espírito Santo e está disponível no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) em HIV/Aids do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória por meio Sistema Único de Saúde (SUS).

A PrEP diminui o risco de infecção pelo HIV e é feita com a ingestão de um comprimido por dia de um medicamento que associa os antirretrovirais Tenofovir (ajuda a reduzir a quantidade do vírus HIV no organismo)  e Emtricitabina (inibidor).

“Esse medicamento tem grande eficácia em reduzir a transmissão do HIV quando tomado corretamente. De qualquer forma, continuamos a aconselhar que a pessoa use preservativo nas relações sexuais para evitar a infecção por outras doenças, como sífilis, por exemplo. Além disso, o parceiro desta pessoa precisa estar tomando corretamente os antirretrovirais para ter carga viral zero e evitar a transmissão do vírus para ela. O tratamento está indicado para público prioritário: casais sorodiferentes para o HIV, gays, profissionais do sexo, pessoas trans e outros homens que fazem sexo com homens”, esclarece a coordenadora do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Sandra Fagundes.

A PrEP leva alguns dias para fazer efeito. De acordo com o site do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, a proteção se inicia a partir do sétimo dia para exposição por relação anal e a partir do vigésimo dia para exposição por relação vaginal. Também consta na página da internet que a PrEP só é indicada após testagem do paciente para HIV, uma vez que é contraindicada para pessoas já infectadas pelo vírus.

Na avaliação da coordenadora do Programa Estadual de DST e Aids da Sesa, a introdução do antirretroviral que permite prevenir a transmissão do HIV foi uma medida importante porque vai ajudar a interromper a cadeia de transmissão do vírus. “Nos últimos cinco anos, observamos no mundo inteiro maior aumento de casos novos da infecção do HIV entre jovens homens que fazem sexo com homens, por isso a estratégia é fornecer a PrEP prioritariamente para essas pessoas”, explicou Sandra Fagundes.

Dados

No período de 1985 a dezembro de 2017, foram notificados no Espírito Santo 14.470 casos de HIV/Aids, sendo 9.599 do sexo masculino (66,3%) e 4.871 do sexo feminino (33,7%), com 70,8% dos casos devido à transmissão sexual do HIV. Nos últimos quatro anos, a média é de 1.166 novos casos por ano.

A taxa de detecção de HIV no Espírito Santo no ano de 2017 foi de 31,2 casos para cada 100 mil habitantes. Entre as macrorregiões de saúde do estado, ocorreram maiores aumentos da taxa de detecção na Região Metropolitana, com 42,2 casos novos para cada 100 mil habitantes (total de 942 casos novos em 2017), e Norte, com 21,9 novos para cada 100 mil habitantes (total de 95 casos novos em 2017). Na Região Central, a taxa de detecção em 2017 foi de 14,4 e, na Sul, teve um importante aumento para 17,8 indivíduos com HIV/Aids por 100 mil habitantes.

Tratamento

O número de usuários recebendo terapia antirretroviral no Espírito Santo triplicou, nos últimos cinco anos. Atualmente, o estado tem 10.890 pessoas em uso de antirretroviral acompanhadas nos Serviços de Atendimento Especializados (SAEs). Aliás, o número de SAEs disponíveis para atendimento à população soropositiva aumentou 41% em seis anos. Em 2012 existiam 18 unidades no estado e, em 2017, já eram 26, entre serviços estaduais, federais, filantrópicos e municipais. A rede de atendimento também conta com 44 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs) municipais.

Em 2017, foram distribuídos pela Secretaria de Estado da Saúde para os 78 municípios capixabas um total de 268.870 testes rápidos de HIV, medida que visa ampliar a testagem da população, o que possibilita identificar novos casos precocemente para que seja iniciado o tratamento. A Secretaria de Estado da Saúde também compra medicamentos de médio e alto custo, com recursos próprios, para tratamento de infecções sexualmente transmissíveis e infecções oportunistas do HIV.