Todo mundo sabe que a água é a coisa mais saudável para se beber, mas a ciência alega que beber em garrafas de plástico pode não ser a melhor alternativa para você e para o meio ambiente.

O consumo de uma ou outra bebida engarrafada não irá destruir o seu corpo e o planeta, mas devemos evitar as garrafas de plástico sempre que possível – e isso vale tanto para as descartáveis quanto para as reutilizáveis.

Elas podem liberar químicos potencialmente perigosos na sua água.

Quando você expõe as garrafas plásticas ao desgaste natural do uso, ao calor dentro de um carro, à lava-louças, à radiação ultravioleta do sol, ou ao micro-ondas, as camadas mais externas do plástico podem se decompor. Como consequência, plásticos classificados com código de reciclagem 3 ou 7 podem liberar um químico chamado Bisfenol A (BPA), enquanto os plásticos livres de BPA podem liberar Bisfenol S (BPS).

Estes dois químicos, que também são encontrados em recibos e no revestimento de latas de alumínio, podem contaminar o líquido da garrafa, segundo Cheryl Watson, bioquímica da Universidade do Texas, que conduziu diversas pesquisas sobre a exposição humana ao BPA e ao BPS.

O problema é que, mesmo ingerido em pequenas quantidades, eles podem imitar o estrogênio, o que pode alterar o funcionamento do seu sistema endócrino. Nos humanos a exposição foi associada a doenças crônicas, incluindo diabetes, asma e câncer. Estudos realizados em animais sugerem que a exposição no útero pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro e do sistema imunológico, com efeitos que podem ser transmitidos às próximas gerações.

Os químicos do plástico podem prejudicar a fertilidade.

Pesquisadores descobriram que homens e mulheres que tentavam fertilização in vitro e apresentavam altos níveis de BPA em seu sangue, urina e ambiente de trabalho, tinham uma chance menor de ter uma gestação bem-sucedida. A conclusão é de uma revisão de 91 estudos publicada na revista científica Reproductive Toxicology.

Embora mais pesquisas sejam necessárias, os resultados sugerem que quando o BPA imita o estrogênio, ele interfere nos diferentes estágios da concepção, como a fertilização e implantação. É o que afirma Sheela Sathyanarayana, médica e professora associada de ciências ambientais e de saúde ocupacional da Universidade de Washington.

Químicos presentes no plástico podem aumentar o risco de doenças cardíacas e outros problemas circulatórios.

Humanos expostos aos níveis mais altos de BPA têm um risco maior de desenvolver doenças cardíacas, de acordo com um estudo de 2012 publicado na CirculationEmbora a correlação não seja necessariamente a prova da causa, os pesquisadores acreditam que isso pode ocorrer devido à associação do BPA com a pressão alta, um fator de risco para o surgimento das doenças cardíacas. A pressão sanguínea de adultos que bebiam em latas contendo BPA aumentou quase instantaneamente em um estudo pequeno, mas minucioso, realizado em 2015 e publicado na revista Hypertension.

Outro fato assustador: como o BPA e o BPS podem imitar o estrogênio quando entram no seu sistema, e altos níveis deste hormônio aumentam a produção de proteínas do plasma sanguíneo, de acordo com a Dra. Sathyanarayana a exposição a estes químicos também pode levar à formação de coágulos sanguíneos e a complicações adjuntas, como ataques cardíacos e derrames.

Reutilizar garrafas plásticas pode expor seu organismo a bactérias potencialmente perigosas.

Diferentemente das garrafas de vidro ou aço, tanto as garrafas plásticas descartáveis quanto as reutilizáveis se decompõem com o uso regular. Até rachaduras minúsculas podem abrigar bactérias, de acordo com uma análise de pesquisas publicada na revista científica Practical Gastroenterology.

Embora a maioria das bactérias seja inofensiva, de acordo com Charles Gerba, professor de microbiologia e ciências ambientais na Universidade do Arizona, as garrafas podem abrigar bactérias causadoras de gripes, resfriados e norovírus. (Lavá-las regularmente com água e detergente pode ajudar, mas isso pode decompor ainda mais o plástico).

As garrafas plásticas são terríveis para o meio ambiente.

A maioria das garrafas plásticas parece ser reciclável, mas como menos de 1% do plástico é reciclado mais de uma vez, a maioria acaba no lixo. É o que concluiu um estudo da Science Advances publicado em 2017, que examinou plásticos feitos entre 1950 e 2015.

Se esta tendência continuar, os autores do estudo estimam que haverá mais de 11,7 milhões de quilos de plástico nos aterros sanitários e/ou no meio ambiente em 2050.

Garrafas de água descartáveis são caras

Pelo preço de algumas garrafas você pode conseguir cerca de 3,8 mil litros de água encanada, de acordo com a Environmental Protection Agency. Um filtro purificador de água pode ser um excelente investimento.

Encher sua garrafa reutilizável com água não filtrada pode expor seu organismo a carcinogênicos.

Um relatório de 2017 do Environmental Working Group (EWG) que analisou a qualidade da água potável nos 50 estados dos Estados Unidos descobriu que quase todos os sistemas de água espalhados pelo país contêm carcinogênicos, como cromo hexavalente e nitratos.

Ashley Oerman