O fundador da comunidade católica Família em Missão, Paulo Monteiro Amorim, de 53 anos, foi preso ontem. Ele era investigado há duas semanas pela Polícia Civil e foi preso suspeito do crime de estupro contra pelo menos cinco fiéis do grupo. Duas das vítimas tinham 12 anos quando foram abusadas. A Polícia acredita que mais de dez jovens foram vítimas dele.

A prisão foi realizada pela equipe do 2º Distrito Policial, na Aldeota, cumprindo mandado de prisão temporária expedido também ontem pela 2ª Vara da Comarca de Fortaleza. As informações foram divulgadas em entrevista coletiva.

De acordo com o responsável pelas investigações, delegado Dionísio Amaral, Paulo é paulista e trabalha como corretor de seguros. A comunidade já fez encontros na Paróquia do Cristo Rei, no Centro, e atualmente, realizava as atividades na Paróquia de São Vicente de Paulo, no Dionísio Torres.

Dionísio Amaral diz que algumas das vítimas chegaram a relatar que sofrem o abuso desde os 12 anos, mas, por medo, as denúncias não chegavam à Polícia. Foi o familiar de uma delas que buscou a delegacia, que começou a investigar Paulo. Conforme o delegado, o suspeito nega qualquer tipo de abuso e alega que é impotente sexual. Dionísio relata que Paulo praticou atos libidinosos, sem conjunção carnal, e que o crime é considerado estupro.

Um compartimento com peças íntimas das vítimas foi apreendido na casa de Paulo, além do computador do suspeito, que será periciado.

Igreja 

De acordo com a Arquidiocese de Fortaleza, o padre Raimundo Nonato Neto, da Paróquia de São Vicente, disse que a comunidade alugava espaço na igreja para seus encontros, sem vínculos religiosos. Já o padre Rezende, pároco da Cristo Rei, estava ontem em um encontro em Baturité e a comunicação com ele não era possível. Ainda conforme a arquidiocese, o arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio, está doente e não poderia se pronunciar ontem. (colaborou Sara Oliveira)

Outros casos

Casos de violência sexual envolvendo líderes religiosos:

Ceará e Bélgica

Em janeiro de 2016, um padre belga, que fazia parte da Congregação Sagrado Coração, foi acusado de cometer abuso sexual contra crianças com idades entre 9 e 12 anos no Ceará e na Bélgica.

Juazeiro do Norte

Em outubro do ano passado, o Ministério Público do Estado (MPCE) denunciou um padre por exploração sexual de adolescentes. O religioso oferecia dinheiro em troca de favores sexuais, que aconteciam na casa da irmã dele.

Paraíba e Ceará

Em 2016, dom Aldo Pagotto teve o pedido de afastamento das atividades da arquidiocese da Paraíba aceito pelo papa Francisco. Ele já havia se envolvido em acusações no Ceará, onde foi bispo da Diocese de Sobral. Em Santana do Cariri, dom Aldo teria induzido 21 meninas a mudarem os depoimentos sobre abuso sexual praticado por outro religioso, o frei Luís Sebastião Thomaz.

Quixeramobim

Em maio de 2016, um padre do município de Quixeramobim foi acusado de manter um relacionamento com uma menina de 15 anos e de tê-la engravidado.

Fonte: O Povo