Você já teve vontade de assistir um filme em um telão como em um cinema?

sitebarrabarradesaofranciscocineclube-pavaozinho_vila-pavao0Pois esta vontade já é uma realidade em Água Doce do Norte e em Vila Pavão, com o Cineclube Olegário Martins e o Cineclube Pavãozinho.

No último 16 de novembro de 2016, o Município de Água Doce do Norte foi contemplado no Edital de Cineclubismo do Fundo Estadual de Cultura do Espírito Santo. O Funcultura, compõe a Política Pública da Secretaria de Estado da Cultura, de fomento e incentivo ao desenvolvimento da cultura capixaba.

São 8.000.000 milhões de recursos distribuídos em diversos editais que atendem aos setores e expressões culturais no Estado do Espírito Santo.

Os artistas ou sociedade civil, inscrevem o projeto no edital, e os projetos são analisados por uma banca julgadora, que julga por critérios técnicos, os projetos inscritos, selecionando por pontuação os projetos.

O projeto aprovado no Edital 026/2016 de Cineclubismo, é o “Cine Comunidade – Cineclube Olegário Martins”, que será desenvolvido no Distrito de Santa Luzia do Azul, assim como deverá desenvolver atividades em outros distritos do Município. O Cineclube Olegário Martins é Coordenado por Luciano Guimarães de Freitas.

E o de Vila Pavão, é um Projeto do Cineclube Pavãozinho, coordenado por Neimar Mageswiki, com apoio do CECIVIP e Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

“O projeto ora apresentado, busca promover a democratização do acesso a sétima arte, por meio da apresentação de filmes, incentivando ainda a produção audiovisual local e a formação de público para o cinema capixaba e nacional, promovendo ainda através do acesso ao cinema por meio do cineclube, o relacionamento comunitário e social, valorização da cultura e preservação da identidade social e cultural no Distrito de Santa Luzia do Azul, Município de Água Doce do Norte/ES. E ainda, por meio das atividades propostas visa contribuir com a educação cidadã e formação sócio cultural”, disse Luciano ao SiteBarra.

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O Município de Água Doce do Norte foi também contemplado com o Projeto Seminários Regionais de Formação Cineclubista, que tem como proponente a Associação de Cineclubes de Vila Velha/ES. Os Seminários serão distribuídos entre 03 etapas, a etapa norte/noroeste será sediada em Água Doce do Norte, que deverá receber cerca de 30 membros representantes de cineclubes da Região, por 02 dias. Além de formar os participantes sobre o cineclubismo e direitos do público, com a presença de visitantes e convidados vindos de outros Municípios, também vai contribuir com a economia e comércio local.

Os cineclubes são componente essencial na formação da cultura e identidade nacional, pois surgiram como alternativa ao formato de mercado da circulação da obra cinematográfica, que a destitui de seus aspectos culturais e a trata unicamente como produto mercantil, e o espectador como consumidor passivo.

sitebarrabarradesaofranciscosede-do-cineclube-olegario-martins0Imagina que até início da década 90, havia salas de cinema na região, como em Barra de São Francisco, Mantena, São Gabriel da Palha e outras localidades, mas que devido ao monopólio do cinema comercial de grandes empresas que visam apenas o lucro, o cinema ficou distante do imaginário da população.

O Cineclube, desconsidera está lógica público/mercado, um cineclube é a comunidade que se organiza para o acesso ao cinema, enquanto arte e cultura, como expressão popular.

Organizados com base na mobilização de seus associados em função de um objetivo não financeiro, os cineclubes se voltam para fins culturais, éticos, políticos, estéticos, religiosos. Quase sempre realizam de alguma forma, mesmo parcialmente, seus objetivos. Ou seja, os cineclubes produzem fatos novos, interferem em suas comunidades, contribuem para mudar consciências e formar opiniões, mobilizam. Não raro, são as sementes que chegam à floração de cineastas e outros artistas; crescem como instituições, transformando-se em museus, cinematecas, centros de produção; criam o caldo de cultura para mudanças culturais, comportamentais, para a geração de movimentos sociais. Os cineclubes produzem e modificam a cultura.

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Luciano nos traz um breve relato sobre esta trajetória com os cineclubes:

“Eu iniciei no Cineclube Eco Social, no Município de Águia Branca, que infelizmente, após 12 anos de atividades, tendo participado do processo de organização e difusão do Movimento de Cineclubes Brasileiros, e promovido em Águia Branca diversas atividades, o Eco Social encontra-se inativo, por falta de uma política pública voltada para a cultura no Município. Mas durantes estes 12 anos, contribuímos para a criação de diversos cineclubes na Região, como o Cineclube Bonfim em Nova Venécia, Cineclube Seu Manoelzinho em Mantenópolis, Cineclube Imagem em Movimento em Barra de São Francisco, Cineclube Pavãozinho em Nova Venécia, além de sempre estarmos circulando com projetos sócio culturais. Nossa região precisa amadurecer e compreender a cultura como vetor de desenvolvimento social, educacional e econômico. Por exemplo, podemos pensar a criação de um Consórcio Regional de Cultura entre as Prefeituras nos Municípios, o que possibilitaria diante da crise financeira, superar com investimentos na cultura e a circulação de bens culturais”.

 

O Cineclube Olegário Martins surgiu com apoio da Escola Olegário Martins, e da Iniciativa Parceira do Projeto Olhares durante o Mais Cultura nas Escolas. O projeto para 2017 contou com significativos apoios: o Conselho Nacional de Cineclubes e a Organização dos Cineclubes Capixabas, da Prefeitura Municipal de Água Doce do Norte por meio de apoio da Secretária de Educação e Cultura Nilda Fernandes e do Prefeito Municipal Paulo Márcio.

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Segundo Luciano, a abertura de diálogo com Poder Público Municipal tem sido fundamental para o desenvolvimento do cineclube no Município de Água Doce do Norte, ele nos relata que é muito bom, quando encontra-se este diálogo, o poder público aberto a novidades, e a contribuir para levar atividades como o cineclube e outros projetos para 2017.

“Temos muitas boas ideias e projetos que queremos desenvolver em Água Doce do Norte, eu que me criei em Barra de São Francisco, cresci indo aos finais de semana para a casa de meus avós em Água Doce, tenho enorme carinho pelo Município e por Santa Luzia do Azul, e tudo que eu puder fazer para contribuir e somar, estarei à disposição”, nos diz Luciano.

O cineclube sempre foi um espaço de democratização cultural, atuando dentro do universo do audiovisual, hoje no Brasil, há uma explosão de surgimento de vários cineclubes espalhados por todo país, cada um com a sua peculiaridade, de acordo com a realidade de seu público e local, visando o desenvolvimento de suas culturas regionais e propondo através do audiovisual o debate de ideias, de acordo com suas experiências sociais. Estima-se cerca de 2.000 cineclubes em todo país, com suas diversidades, você encontra cineclubes de cinéfilos que se preocupam em discutir a fotografia e a obra em si, cineclubes de mulheres que abordam sobre o feminismo, cineclubes que atuam com o movimento negro, ou mesmo, cineclubes em comunidades que atuam como atividade de lazer, ou cineclubes que atuam num barzinho, na calçada ou na rua. Em síntese, toda vez que se possibilita o encontro das pessoas, seja qual for o espaço ou motivo, isto já viabiliza um rico processo de formação social e cultural.

O Movimento Cineclubista Brasileiro viveu uma explosão de cineclubes com a reorganização do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, a partir do ano de 2003 e depois com o Programa Cine Mais Cultura do Ministério da Cultura. Em 2012 o Governo do Estado do Espírito Santo organizava o primeiro edital de cineclubes do Fundo Estadual de Cultura, hoje este edital conta com cerca de 70 inscrições em 2016, e contempla 15 prêmios que são divididos regionalmente.

Segundo texto do Plano Estadual de Cultura que trata do acesso à cultura e aos direitos culturais: “O acesso à cultura é um direito básico de todo o cidadão brasileiro assegurado pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e reivindicado pela Declaração Universal de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. Entretanto, as desigualdades sociais e econômicas têm, historicamente, restringido o exercício da cidadania cultural, apontando para uma necessidade imperativa de superar este quadro, através da democratização do acesso aos bens culturais. A cultura reflete o modo de vida de uma sociedade e é fator fundamental para o desenvolvimento humano e o fortalecimento da identidade de um povo. Sendo assim, o acesso à cultura, à arte, à memória e ao conhecimento devem ser garantidos pelo Estado”.

 

O Município de Água Doce do Norte, ainda no Fundo Estadual de Cultura, ficou na segunda suplência do Edital de Diversidade Cultural, com o Projeto 9ª Festa de Santo Antônio – Memória Cultural, que obteve 98 pontos, do Sr. Antônio Vitorino Neto, morador de Santa Luzia do Azul.

Outros projetos também participaram, como a Feira de Arte e Cultura de Água Doce do Norte, inscrito por Rubesmaura Rodrigues Barbosa que obteve 80 pontos no Edital de Diversidade Cultural.

O projeto Cantinho da Memória, também inscrito por Luciano Guimarães de Freitas, fico na 4ª Suplência do Edital de Pontos de Memória.

Segundo Luciano, “a missão agora, é reunir estas pessoas e tentar viabilizar o desenvolvimento destas atividades sem depender do Edital, visando o marketing cultural e social, e tentar outros editais, como a Lei Roaunet do Ministério da Cultura, tentar alguma emenda parlamentar ou mesmo um Convênio direto Prefeitura/Governo do Estado. São amplas possibilidades.

 

O fundamental é não desistir, eu mesmo, quando comecei a participar nunca aprovada, fui me adequando, buscando melhorar, entender aonde eu precisava melhorar o texto do projeto, até que começamos a aprovar vários projetos”.

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