Por Jader Pereira

SiteBarra+Barra+de+Sao+Francisco+thumbnail_didico extra um0Quando me mudei de Barra de São Francisco, indo para o Rio de Janeiro, frequentei muito o Maracanã. Se fiquei deslumbrado, foi com a obra monumental do maior estádio do mundo na época. Pois craque, craque mesmo, jogando bola, eu já havia visto o Didico.

Não é exagero. O que Didico jogou em seus áureos tempos, meados dos anos de 1960, no Glegi e no Santos, é coisa de arrepiar. Um dos poucos atacantes aplaudidos às vezes até pelo adversário.

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Não era de compleição física forte e nem de boa altura. Mas quando pegava a bola no meio de campo e avançava rumo ao gol adversário só era parado na falta. Tinha um domínio de bola impressionante e uma arrancada meteórica. Me lembrei dele anos depois, quando acompanhava o desempenho de Ronaldo Fenômeno na seleção.

Por falar em seleção, quando Fontana voltou da conquista da Copa 70, lhe perguntaram qual foi o atacante mais difícil de barra em sua carreira. O tricampeão falou que fora um rapaz lá do norte do estado. Era o Didico!

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Vieram olheiros de vários lugares acompanhar seu desempenho, com ofertas fabulosas. Mas Didico, apaixonado por uma filha do Prefeito Sebastião Gonçalves, muito bonita por sinal, foi colocado contra a parede: “Ou eles ou eu!”. O amor falou mais forte. Continuou a vida tranquila de pintor de letreiros e craque da São Chico.

Teve companheiros memoráveis, com os quais fazia dupla. Os melhores jogos que vi foram com a parceria de Pergentino. As defesas adversárias tremiam quando estavam juntos. E não era para menos. Os jogos com a presença de ambos raramente terminavam em zero.

Didico era um cara antenado em seus tempos de fama. Criava times de garotos, participava de torneios beneficentes e até ajudava a ações em Mantena ( maior rival do Santos na época era o Volante de Mantena). Uma vez até jogou na equipe do arquirrival e uma foto está aí ao lado para provar.

SiteBarra+Barra+de+Sao+Francisco+thumbnail_didico extra 30E o tempo passou. Chegaram os modernos meios de comunicação. Hoje está em nossa sala pelos monitores uma interminável lista de jogos de timões do mundo inteiro, Barcelona, Roma, Bayern, Sporting, PSG, Flamengo, Corínthians e tantos outros. Grandes times e grandes craques.

Deslumbram? Nem tanto. O meu deslumbramento ficou no velho estádio Joaquim Alves de Souza, nos pés de um gênio chamado Didico. Que hoje, de cabelos brancos e corpo cansado assiste na TV a jogos em que falam maravilhas de dribles de jogadores que se vissem o seu velho desempenho, morreriam de vergonha.

Didico é meu eterno ídolo.

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Jader Alves Pereira
Jornalista MT 0344 DRT-Ba
Nascido em Barra de São Francisco

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