O incêndio que atinge o Parque Estadual de Itaúnas, em Conceição da Barra (norte do Estado), ainda não foi controlado. Nesta quarta-feira (16), equipes ainda trabalham para debelar focos do incêndio que se iniciaram há uma semana, na localidade de Riacho Doce, que também é área de proteção permanente (APP), na divisa entre Espírito Santo e Bahia. Até agora, já foram destruídos 800 hectares do parque. A extensão do dano representa o maior incêndio da história da unidade de conservação.

O trabalho das equipes está concentrado em quatro áreas estratégicas, localizadas na Trilha da Borboleta, Trilha Buraco do Bicho, próximo ao Riacho Doce, e área de alagado.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio não ameaça as residências da Vila de Itaúnas, por conta da direção do vento. Além disso, não foram mais identificadas labaredas, o que facilita a ação das equipes de combate a incêndios. Mas ainda há pontos de fogo em área de turfa.

O posto de comando na sede do Parque é formado por representantes dos Bombeiros, Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer), Defesa Civil, brigadistas da Aracruz Celulose (atual Fibria) e do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e voluntários.

As vegetações mais atingidas estão em áreas de restinga e de alagados. As equipes que atuam no combate às chamas identificaram répteis mortos e ninhos de pássaros atingidos pelo fogo.
Apesar de o incêndio ter iniciado na última quarta, o socorro do Corpo de Bombeiros só foi enviado no sábado (12). Enquanto as equipes não chegavam, os próprios funcionários do Parque e voluntários atuavam no combate ao fogo, que se alastrou pela área, chegando próximo às residências.

Após o incêndio, será elaborado um Relatório de Ocorrência de Incêndio Florestal, uma espécie de diagnóstico da situação, que trará a real dimensão dos impactos ocasionados pelo fogo com detalhes sobre os danos à fauna e flora, gastos operacionais e extensão atingida.

No último incêndio de proporção que atingiu o parque e a vila de Itaúnas, há quase um ano, alegando indícios de ter sido criminoso, o governo se comprometeu a divulgar as causas e investigar os possíveis responsáveis, o que até hoje não aconteceu.

Erros repetidos

Em 2014, a mesma demora para a chegada do socorro foi registrada. O fogo começou por volta das 11 horas do dia 28 de dezembro do ano passado, mas foi se alastrando rapidamente com a força do vento nordeste. À noite, o fogo já havia percorrido cerca de 10 quilômetros.

A primeira chamada ao Corpo de Bombeiros foi feita às 13 horas, mas a unidade só chegou ao local às 21 horas. Inicialmente, os bombeiros que vieram de São Mateus, alegaram que estavam atendendo a outra ocorrência no  município de Jaguaré. Como só há quatro homens e uma única viatura, os bombeiros justificaram que não podiam atender imediatamente a ocorrência em Itáunas. Eles também alegaram que o incêndio, segundo informações do Parque de Itaúnas, por ser em turfa (é um material vegetal, parcialmente decomposto, que pode se transformar em carvão, devido a emanações de metano do solo, por isso altamente inflamável – impedia uma ação imediata dos bombeiros.

Sem o socorro imediato, os próprios moradores e até mesmo turistas passaram a combater os fogos de incêndio, que por volta das 19 horas ameaçavam casas e pousadas.

Ao chegarem ao local, por volta das 21 horas, os bombeiros pediram que os moradores dos imóveis mais vulneráveis deixassem suas casas. Hóspedes de uma pousada, sem ter onde se abrigar, acabaram indo embora da Vila. Um camping próximo ao local do incêndio também teve que evacuar seus clientes.

Os moradores ajudaram os bombeiros a controlar o fogo. Em trabalho de mutirão, os moradores utilizaram águas de tanques, poços, caixas d’água e até de piscinas para apagar o fogo. Os moradores comentavam, após ver o fogo ser rapidamente controlado com a chegada dos bombeiros, que uma ação mais imediata teria evitado que o fogo se alastrasse, ameaçando vidas e imóveis.