tumblr_inline_ntscfmmi9r1ttcmqw_500Os pais de um garoto de doze anos, residentes em Massachusetts, estão processando a escola onde o filho estuda: a Fay School em Southborough. Eles alegam que a potência do sinal Wi-Fi está afetando a saúde do garoto.

A Fay School, uma escola particular localizada em Massachusetts, está sendo processada pelos pais de um garoto de 12 anos. Segundo eles, a potência do sinal está afetando a saúde do garoto. (Foto: Flickr)

O garoto, que assim como os pais, não teve sua identidade revelada, foi diagnosticado com a Síndrome de Hipersensibilidade Eletromagnética (EHS). A síndrome é provocada pela radiação eletromagnética emitida por aparelhos que empregam tecnologias sem fio, tais como celulares e torres de transmissão. Aparentemente, essa radiação causa sangramentos nasais, náuseas, dores de cabeça, tonturas, perda de memória, tremores, exaustão, problemas cardíacos e de tireoide.

Embora a EHS ainda não seja reconhecida universalmente entre os profissionais da medicina, ela é reconhecida pela OMS desde 2005. Segundo a médica da família, Jeanne Hubbuch, que também atua na área da saúde ambiental, não existe outra explicação para os sintomas apresentados pelo garoto.

“Sabe-se que a exposição ao sinal Wi-Fi pode causar efeitos nas células. A magnitude desses efeitos sobre as pessoas ainda é desconhecida,” diz Hubbuch em uma carta dirigida à escola, de acordo com informação do jornal Telegram & Gazette. (Yahoo Parenting ainda não conseguiu contatar a doutora e obter mais informação.) “Mas é certo que as crianças e as mulheres grávidas correm riscos bem maiores. Isso ocorre porque seu tecido cerebral é mais absorvente, e a espessura de seus crânios é menor, já que eles são relativamente pequenos.”

Segundo o Telegram & Gazette, o garoto foi diagnosticado com a síndrome logo depois que a escola instalou um novo sistema Wi-Fi muito mais potente, em 2013.

No entanto, a escola assegura que a radiação emitida está dentro dos níveis seguros. A administração da escola declarou para o Yahoo Parenting que quando os pais expressaram sua preocupação inicial em 2014, “a Fay atendeu à preocupação dos pais com a mesma atenção que costuma dispensar a qualquer preocupação parental.” A escola contratou a empresa Isotrope, recomendada pelos pais do garoto, para realizar a medição da potência do sinal de rádio.

“A avaliação feita pela Isotrope foi concluída em janeiro de 2015. Ela revelou que a soma dos níveis das emissões dos pontos de acesso, das transmissões de rádio e sinais de televisão, bem como de outras emissoras do campus, ‘era substancialmente inferior a um décimo de milésimo (1/10.000) dos limites de segurança (federais e estaduais) aplicáveis,’” informava o relatório. “Apesar das descobertas reveladas pela Isotrope, a família que levantou a questão sobre o sistema Wi-Fi da escola abriu recentemente um processo contra a instituição e o seu diretor.”

Além de publicar a declaração nessa terça-feira, o diretor da Fay, Rob Gustavson, postou no site da escola a cópia de uma carta enviada aos pais. Nessa carta, ele chama mais uma vez a atenção para as conclusões do relatório e acrescenta o seguinte comentário: “Tal como eu disse quando compartilhei essas descobertas com os pais de alunos da Fay, no final de janeiro, a escola continuará a atuar de acordo com as diretrizes estabelecidas pelas agências reguladoras pertinentes; e se for necessário, adaptaremos todas as nossas políticas e protocolos, a fim de cumprir com quaisquer revisões dessas diretrizes e regulamentos.”

A ação legal, movida contra a escola, inclui uma petição à Corte Americana, exigindo que a escola substitua a conexão Wi-Fi pela conexão por cabo Ethernet, reduza a potência do sinal na sala de aulas do garoto; ou que a Fay crie instalações mais adequadas, caso contrário, o garoto terá que deixar a escola. A família exige também uma compensação de 250 mil dólares, por danos sofridos.

John J.E. Markham, II, o advogado da família, residente em Boston, não retornou a ligação feita pelo Yahoo Parenting em busca de mais informação. No entanto, ele disse ao Telegram & Gazette que a prioridade da família agora é fazer o possível para que o garoto volte às aulas no próximo dia 09 de setembro. ”Nós estamos tentando trabalhar em conjunto com a escola,” disse ele. “Nós ainda esperamos poder chegar a uma resolução que permita ao garoto estar seguro nessas salas de aula.”

Outros processos similares foram abertos durante os últimos anos, incluindo o que foi movido contra uma escola no estado de Oregon, Estados Unidos, em 2012. Temos também uma campanha para banir o Wi-Fi das escolas em Israel — liderada pela advogada e ativista Dafna Tachover, que recentemente teve que comparecer perante a Suprema Corte Israelense. Nenhum desses casos foi vitorioso, muitas dessas batalhas judiciais são encaradas pelos críticos como bastante discutíveis, visto que a radiação está em todas as partes.

Porém, há quem pense diferente, estas foram as palavras de Arthur Firstenberg, um importante ativista da saúde eletromagnética, para Yahoo Parenting: “É precisamente por isso que eles devem processar a escola. Imagine se isso fosse um produto químico tóxico, e a escola resolvesse de repente pulverizar o produto em toda sua área, só porque as outras escolas estavam fazendo o mesmo. As pessoas devem ter responsabilidade pelo que fazem, independente do que os demais estão fazendo, não é verdade?”

Firstenberg fundou a New Cellular Task Force — uma central de informações e rede de apoio para aqueles com EHS, localizada no México — em 1996, “em resposta às ameaças para a saúde e o ambiente, causadas pela revolução da tecnologia sem fio, nos Estados Unidos.” Ele salienta que os cientistas têm estudado os riscos dos campos eletromagnéticos desde 1960.

“Existe toda uma história por trás disso. Não é um assunto simples, não mesmo,” diz ele acrescentando que a ideia da EHS na comunidade médica “não é levada a sério o suficiente em nenhum país.” Ele acredita que as razões são tanto políticas quanto econômicas. “Se admitirem que ela [a tecnologia sem fio] é realmente perigosa, a economia mundial estará em jogo, e nenhum juiz quer fazer isso.” Porém, Firstenberg tem a esperança de que a consciência nesse sentido esteja aumentando, ele aponta para um recente apelo para proteção contra “a exposição a campos eletromagnéticos não ionizantes,” assinado por cerca de 200 cientistas da área, que foi apresentado às Nações Unidas.

Enquanto isso, Markham se pronuncia sobre o caso do garoto: “Nós estamos tentando trabalhar em conjunto com a escola. Ainda esperamos poder chegar a uma resolução que lhe permita estar seguro nessas salas de aula.”

Yahoo Parenting
Beth Greenfield
Redatora Sênior