coreia_00A Coreia do Norte reagiu fortemente contra o filme logo após a notícia da sua existência, chegando a fazer uma queixa formal à ONU no Verão, e há cerca de três semanas a Sony foi alvo de um ataque informático que tornou públicos planos estratégicos, datas de estreias, salários de atores e comentários de executivos sobre estrelas (Angelia Jolie retratada como uma “fedelha mimada” foi um dos que mais deu que falar).

Pyongyang diz que não teve nada a ver com o ataque à Sony, mas elogiou quem o levou a cabo. O FBI apontou desde logo envolvimento do Governo norte-coreano na acção, embora muitos questionem essa conlusão. Peritos em cibersegurança sublinham que é possível fingir origens de ataques – o IP estar localizado em Pyongyang não quer dizer que o esteja lá realmente, pode estar em Baltimore ou Moscovo, exemplificaram. Um dos peritos ouvidos pela rádio pública dos EUA NPR fez mesmo uma comparação entre o tipo de frases usadas em mau inglês e encontrou mais traduções literais de formulações em russo do que em coreano.

Após o ataque informático e as ameaças de hackers de que atacariam salas de cinema que mostrassem The Interview, a Sony tinha inicialmente anunciado que o filme não seria exibido em sala. A decisão valeu à produtora fortes críticas do meio cinematográfico e do próprio Obama, e pouco antes do Natal, a Sony voltou atrás e decidiu autorizar a exibição.

Os Estados Unidos prometeram que retaliariam contra a Coreia do Norte pelo ataque informático à Sony em “acções visíveis e outras não visíveis” e não comentaram as falhas recentes.

Pyongyang acusou Washington por ser responsável pelos seus problemas de rede, com umprimeiro “apagão” a 23 de Dezembro que deixou o país nove horas sem Internet: “Os EUA, com o seu grande tamanho físico e sem vergonha de jogar às escondidas como as crianças ranhosas, começou a dificultar o acesso aos principais sites de notícias da nossa república”, disse em comunicado a Comissão de Defesa Nacional, principal órgão do poder do regime liderado por Kim Jong-un, o mesmo organismo que comparou agoraObama a um macaco. Esta não é a primeira vez que o regime norte-coreano, uma ditadura comunista em que o poder passa de pai para filho, usa insultos deste género contra os seus adversário: já uma vez tinha dito que Obama tinha “a forma de um macaco”, o secretário de Estado John Kerry era “um lobo com um maxilar em forma de lanterna” e a Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, foi tratada como “prostituta”.

Analistas dizem que não é difícil deitar abaixo a rede de Net da Coreia do Norte, já que o país tem apenas quatro pontos de ligação à Web e todo o seu tráfego passa pela China Netcom, uma filial da estatal China Unicom. Já há quem sugira que pode ser a própria China, irritada já com o comportamento cada vez mais errático do pequeno aliado, a restringir o acesso.

As falhas na rede serão ignoradas pela maioria dos 24 milhões de habitantes do país, já que muito poucos têm acesso à Internet. A Coreia do Norte tem apenas mil endereços electrónicos.