Bruno_Fernandes_de_Souza_01O goleiro Bruno Fernandes de Souza pode ter dificuldades para fazer valer o seu pedido de transferência para a penitenciária de Montes Claros (MG), que está superlotada.

Com isso, o ex-jogador do Flamengo vai continuar preso na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte) e, por enquanto, não voltará a jogar bola.

O juiz da Vara de Execuções Penais de Montes Claros, Francisco Lacerda de Figueiredo, respondeu ontem a um ofício do seu colega de Contagem, Wagner Cavallieri, informando que o presídio do norte mineiro está atualmente com 1.032 presos, quase 450 a mais do que a capacidade.

Portanto, o presídio não tem condições de receber o goleiro condenado a 22 anos e três meses de prisão em regime fechado. A tentativa da transferência feito pela defesa de Bruno era para que o goleiro tentasse depois aprovar um pedido para ele jogar pelo Montes Claros, clube da segunda divisão do futebol mineiro e com o qual assinou contrato recentemente.

Uma condição para que isso ocorra é que Bruno tenha familiares na cidade. A dentista Ingrid Oliveira, que diz ter casado com Bruno, mudou-se para Montes Claros, onde pretende montar um consultório.

Bruno foi condenado como mandante do desaparecimento e morte de Eliza Samudio, sua ex-amante, com quem teve um filho, mas não reconhecia a paternidade. O corpo de Eliza nunca foi encontrado. Desde que foi condenado, há um ano, a defesa de Bruno tenta amenizar sua situação buscando um clube para ele jogar, mesmo que preso.

As indisciplinas de Bruno dentro do presídio, contudo, também têm jogado contra as pretensões da sua defesa. O pedido de transferência para Nova Lima foi negado pela Vara Criminal da Infância e Juventude do Município que alegou “falta grave carcerária” praticada pelo ex-atleta.

Bruno se envolvera em briga com detentos e, por isso, perdeu o direito a banho de sol por 30 dias, foi proibido de receber visitas, sair da cela e trabalhar, além de perder 59 dias de remissão da pena. Ele tem outras faltas acumuladas.

Futebol Como Ressocialização 

O advogado Tiago Lenoir diz que tenta garantir o direito de Bruno trabalhar como forma de ressocialização, e, por ser o preso um atleta, isso acaba tendo que acontecer fora da prisão.
Para que isso ocorra, contudo, o Estado teria que disponibilizar um agente prisional diariamente para acompanhá-lo fora da prisão.

Fonte: Paulo Peixoto/Folha de SP