17181_3Milhares de brasileiros comemoraram em Copacabana há alguns anos, quando anunciaram finalmente que a Copa do Mundo seria no Brasil, depois de décadas. O país do futebol, agora receberia novamente o maior espetáculo esportivo do mundo. Mas será que a Copa do Mundo é nossa? Se aproveitando da comemoração do povo estavam as empreiteiras maquinando acordos com governadores, prefeitos, deputados e senadores, pensando em qual seria melhor licitação para ganharem bilhões, qual estádio seria mais fácil de superfaturar e em qual iate iriam rir de nossa casa no Principado de Mônaco.

As vaias à Presidenta Dilma e ao presidente da Fifa são um reflexo da indignação do povo brasileiro ao momento em que vivemos. Indignação com os bilhões (superfaturados?) gastos em estádios de forma suspeita, como na reforma bilionária do Maracanã, seguida de sua terceirização (privatização) para Eike Batista. Óbvio que queremos o Brasil HEXA e Neymar fazendo gols de bicicleta. Mas não vamos aceitar que o Brasil tenha a 7ª economia do mundo e esteja no 85º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, com a educação, alimentação e saúde em níveis precários. O Japão é a 3ª economia do mundo e está em 10º no IDH. No Mané Garrincha ganhamos dos japoneses de 3 x 0. Na realidade cotidiana, eles nos goleiam na cidadania e aplicação dos impostos para benefício da população.

No mesmo contexto, as massas se indignam e vão às ruas protestar contra a baixaria promovida pelos nossos representantes. O pior é ver PSDB e PT se unindo em São Paulo para defender as empresas de ônibus. Muitos aplaudiram a “Primavera Árabe”, quando jovens no Oriente Médio protestaram contra governos autoritários e corruptos. Ouvimos muitas reclamações alegando que a juventude é alienada e não se interessa por política, mas muitas críticas quando a mesma se desaliena… E agora em várias capitais vemos a juventude despertando, tendo a reação semelhante de todos governadores e prefeitos: ausência de diálogo e discursos ensaiados, sem solucionar o problema da mobilidade urbana. A Primavera Brasileira se intensifica e a única saída é o diálogo do poder público com a sociedade civil, diferente do que tem acontecido até hoje.