As forças de segurança da Síria atiraram nesta sexta-feira (1º) para dispersar manifestantes mobilizados contra o massacre que deixou 108 mortos no dia 25 de maio em Hula, principalmente em Damasco. Ao menos 13 pessoas já teriam morrido.

Em sua página no Facebook os militantes contra o regime convocaram uma manifestação depois das orações de sexta-feira, em homenagem às 49 crianças mortas no massacre cometido em Hula há uma semana.

Foram registradas manifestações nas províncias de Damasco, Deraa (sul), Homs e Hama (centro), Aleppo (norte), Deir Ezzor (leste), Hassaké (nordeste) e Latakia (oeste), “apesar da mobilização maciça das forças de segurança”, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

“As forças governamentais atiraram para dispersar os manifestantes nas regiões de Damasco, Deraa e na cidade de Aleppo”, informou o OSDH, indicando várias manifestações em Damasco.

Na capital, vários manifestantes percorreram o bairro de Esseily: “Árabes, exigimos mais do que a expulsão dos embaixadores (da Síria), exigimos também a expulsão dos embaixadores da Rússia e da China”, estava escrito no cartaz de um manifestante, exibido por um vídeo divulgado na internet pelos militantes.

Um outro cartaz acusa o regime do contestado presidente Bashar al Assad de matar crianças enquanto fala de reformas.

Em um outro bairro da capital, em Tadamoun, manifestantes exibiam fotos de vítimas do massacre de Hula.

Eles exibiam também símbolos religiosos para denunciar as divisões confessionais, pedindo a união entre cristãos e muçulmanos.

O OSDH indicou que foram mortos até o momento nesta sexta 13 civis em novos episódios de violência em todo o país.

Em Damasco, dois civis foram mortos e um terceiro ficou gravemente ferido em uma explosão ocorrida na casa de um deles em Bassatine el-Razi, no setor de Mazzé, segundo o OSDH.

Na província de Damasco, “as forças governamentais penetraram na cidade de Daraya e dispararam obuses em direção ao oeste da cidade onde estão combatentes rebeldes, deixando cinco civis mortos”, informou o OSDH.

Na província de Deir Ezzor (leste), “um civil foi morto a tiros pelas forças regulares na frente da sua casa, na cidade de Boukamal”, acrescentou o Observatório citando militantes no local.

Na província de Deraa (sul), o OSDH indicou a morte de um homem, assassinado a tiros na saída da mesquita na cidade de Cheikh Meskine, e explosões seguidas de intensos tiroteios em várias localidades da província.

Na cidade de Homs (centro), quatro civis perderam a vida, sendo dois mortos a tiros, no bairro de Bab Sbaa, segundo militantes da cidade, indicando que os outros dois foram mortos enquanto defendiam o bairro de Bab Tadmor.

Repressão e protestos

A pressão internacional sobre o regime de Assad subiu na últimas semana, após os ataques em Hula.

O governo sírio acusou “grupos armados”, mas a oposição e a ONU acreditam que milícias pró-governo são responsáveis.

O regime de Assad enfrenta uma revolta desde março do ano passado, reprimida com violência em vários pontos do país, que está praticamente em guerra civil.

Mais de 13 mil pessoas, em sua maioria civis, morreram, segundo a oposição.