O Conselho de Segurança da ONU pediu nesta terça-feira (10) que o presidente da Síria Bashar al-Assad cumpra o prazo de 48 horas para fazer com que o cessar-fogo total no país seja respeitado.

Em um comunicado lido pela embaixadora americana Susan Rice, o conselho manifestou o seu apoio ao enviado da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, que pediu que Damasco “realize uma mudança fundamental de curso” em sua conduta para por fim às hostilidades antes das 06h00 locais de quinta-feira (12) na capital síria. Hoje, Annan informou ao Conselho de Segurança que Damasco ainda não enviou o “sinal de paz” requerido no acordo assinado pelo presidente Bashar al-Assad para deter a violência no país.

Conheça o plano da ONU para acabar com a violência na Síria

Annan indicou ainda uma carta ao Conselho, obtida pela AFP, que as forças do governo sírio se retiraram de algumas cidades antes da data limite desta terça, mas que agora outros objetivos foram fixados. Na carta, o mediador lamenta que o regime sírio não tenha cumprido todos os seus compromissos de retirada militar até o dia 10 e pediu ao Conselho que solicite urgentemente que poder e oposição respeitem a data limite para o fim dos confrontos.

– Permaneço convencido de que tudo deve ser feito para obter uma suspensão da violência sob todas as suas formas no dia 12 de abril às 06h00″ (hora de Damasco) – reafirmou Annan em sua carta.

Dirigindo-se à imprensa, Rice rejeitou a ideia de que o Conselho tenha estipulado um novo prazo para 12 de abril após ter deixado passar um primeiro limite.

– Não vejo isso como uma nova data limite, a data limite era hoje. A data limite passou e a violência continuou – afirmou Rice.

Rice indicou que a próxima etapa será acentuar a pressão sobre o regime de Bashar al-Assad.

– Os Estados Unidos consideram que é escandaloso, mas não surpreendente, que o governo (sírio) tenha feito promessas e não as tenha cumprido. Chegaremos muito em breve ao momento da verdade – acrescentou.

Segundo militantes opositores, hoje o Exército sírio bombardeou várias cidades, provocando pelo menos 52 mortes, entre elas as de 28 civis, em diferentes regiões do país.

Damasco aceitou o plano proposto por Annan, mas depois pediu garantias por escrito do fim da violência cometida pelos rebeldes, a quem compara com “terroristas”.

Os rebeldes armados da Síria decidiram interromper seus ataques às tropas regulares por 48 horas, mas, se o governo não retirar seus homens das grandes cidades, eles retomarão as operações ofensivas, afirmou à AFP um porta-voz do Exército Livre da Síria (ELS).

– Durante 48 horas não vamos atacar o Exército, somente nos defenderemos. Se os bombardeios não terminarem e os tanques não forem retirados, passaremos ao ataque e intensificaremos nossas operações militares – disse o coronel Kassem Saadeddine.

O descumprimento do plano foi denunciado pela comunidade internacional: Paris criticou “a mentira flagrante e inaceitável” de Damasco, enquanto Londres reconheceu que “não há nenhuma prova até agora de que o regime tenha intenção de cumprir com algum dos compromissos que assumiu”.

Annan, que viajou a Teerã para se reunir na quarta-feira (11) com o chefe da diplomacia iraniana, Ali Akbar Salehi, pediu o fim da violência “sem condições”.

Um documento da Irmandade Muçulmana, de enorme influência sobre a oposição, considerou que o plano oferecia “uma licença para matar ilimitadamente” ao governo de Assad. “Nosso povo pagou com mil mártires como preço pelo plano de Annan, e agora o mundo inteiro conhece os resultados”, disse o texto

Segundo este movimento, o regime matou mil pessoas desde o dia 2 de abril, quando a ONU anunciou a aceitação por parte de Damasco do plano de Annan.

Em Moscou, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, havia afirmado anteriormente que o regime sírio iniciava a aplicação do plano de paz, com uma retirada parcial na cidade de Homs, apesar da Organização Síria de Direitos Humanos (OSDH) ter denunciado a morte de sete pessoas na área nesta terça, provocadas principalmente pelos bombardeios.

Lavrov, em coletiva de imprensa realizada ao lado de seu colega sírio, Walid Moualem, pediu a Damasco para ser “mais firme” na aplicação do plano, mas também exigiu que Annan intensifique sua pressão sobre a oposição.

Moualem voltou a acusar a Turquia de armar e apoiar os rebeldes, depois que a tensão entre os dois países aumentou subitamente na segunda-feira (9) por causa de disparos efetuados por forças sírias que deixaram feridos em território turco.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayip Erdogan, aumentou o tom ao afirmar que “houve uma violação muito clara da fronteira”.

– É evidente que vamos tomar todas as medidas necessárias” – disse Erdogan.

De acordo com o governo turco, cerca de 25 mil sírios chegaram como refugiados a seu território desde o início do levante popular contra o presidente Bashar al-Assad em março do ano passado.